Ele pescou os camarões das outras duas armadilhas e jogou as vísceras da lebre lá dentro.
Quando Caio Soares voltava para casa com as coisas, sentiu de longe o cheiro de carne refogada com cebolinha.
Naquele momento, o impulso de voltar para casa atingiu o ápice.
Queria chegar logo, queria ver Maria Gomes logo.
Ele correu desenfreado pela floresta.
Ao se aproximar, viu de relance Maria Gomes parada na entrada da caverna.
Ela estava virada para a direção dele, com o olhar fixo no caminho.
Ela estava esperando por ele.
Ao perceber isso, uma onda de calor invadiu o coração de Caio Soares.
Maria Gomes também o viu e sorriu com os olhos; a luz que escapava da caverna refletia nela.
Naquele instante, ela parecia extraordinariamente gentil.
O coração de Caio Soares se aqueceu, e seus traços profundos e bonitos suavizaram-se.
Caio Soares correu até ela a passos largos, carregando as coisas.
Ele parou diante de Maria Gomes, ofegante, olhando para ela com fervor e desejo:
— Maria, posso te dar um abraço?
Naquele momento, ele realmente queria abraçar Maria Gomes.
Como quando era muito pequeno e via seu pai abraçar sua mãe toda vez que chegava em casa.
Às vezes a mãe estava na cozinha, às vezes no hall, às vezes na sala de jantar...
Maria Gomes ergueu a cabeça olhando para ele, deu um passo à frente e o abraçou, apoiando o queixo em seu ombro.
— Maria, eu voltei.
— Bem-vindo ao lar.
Os dois entraram juntos na caverna, como um casal retornando ao lar.
Maria Gomes colocou a carne de lebre que Caio Soares trouxe dentro de um bambu e a escaldou na água.
A outra metade da lebre foi pendurada na armação sobre a fogueira para defumar e conservar.
Depois, ela usou a banha de javali refinada, gengibre, pimenta-de-macaco e as folhas aromáticas colhidas anteriormente para refogar a carne de lebre escaldada.
Enquanto isso, Caio Soares não ficou parado.
Ele lavou os camarões novamente e os jogou no bambu para cozinhar com fatias de gengibre.
Em seguida, saiu da caverna e recolheu bastante lenha nas proximidades.
Eles queimavam muita lenha todas as noites.
Não podia faltar lenha e, aproveitando que não estava chovendo, era melhor estocar.
Quando ele terminou de repor a lenha, os camarões estavam quase prontos.
Ele tirou os camarões e os colocou um a um sobre folhas de bananeira, montando o prato.
O jantar de hoje estava farto.
Um prato de vegetais, um prato de camarões cozidos, um prato de carne de javali com cebolinha, um prato de cubos de lebre refogados, além de um prato de uvas selvagens e as amoras silvestres que não comeram ontem.
A bebida era chá de hortelã.
Maria Gomes não podia comer camarão, então Caio Soares colocou os camarões na frente dele.
A carne de lebre e de javali foram colocadas na frente de Maria Gomes.
Para os dois, aqueles dias sem perseguidores eram simplesmente divinos.
Ambos tinham uma constituição física forte. Bastava comerem e beberem bem, e descansarem.
A floresta inteira era o grande mercado deles.
As plantas e animais de lá eram seus ingredientes, à disposição para serem colhidos.
Enquanto jantavam fartamente, do outro lado da floresta...
O equipamento era profissional, à prova d'água e de vento, e sobre as barracas ainda montaram uma lona.
As barracas ficavam coladas umas às outras.
Ao redor das barracas, cavaram um sistema de drenagem, com medo de que a chuva fosse intensa demais e a água invadisse o interior.
Com a tempestade, a temperatura caiu drasticamente, e todos vestiram casacos corta-vento.
Nicolau Cruz olhou para seu subordinado:
— Da próxima vez, proibido falar coisas que dão azar.
O subordinado deu um tapa na própria boca:
— Nunca mais, nunca mais.
Ivan Cardoso estava sentado na barraca, olhando preocupado para a chuva que ficava cada vez mais forte.
Enquanto isso, Caio Soares enfrentava a chuva para ir ao rio buscar aquele peixe.
Ele planejava deixar o peixe para comer fresco no dia seguinte.
Mas agora estava chovendo e não se sabia quanto tempo a chuva duraria.
Se a chuva demorasse muito, eles não poderiam sair para buscar comida, e aquele peixe se tornaria precioso.
Como não era longe, era mais seguro ir buscá-lo.
Sorte que ele foi a tempo; se demorasse mais um pouco, o rio subiria e o local das armadilhas ficaria submerso.
Nas outras duas armadilhas também havia alguns peixes, atraídos pelas vísceras da lebre.
Caio Soares carregava quatro peixes e voltava apressado para a caverna.
— ROARRR —
No caminho de volta, Caio Soares ouviu o rugido de um urso. A direção era... a caverna!
Maria Gomes estava sozinha na caverna!!!

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