Caio Soares limpou dez hastes de flecha.
Ao terminar, pegou o tendão de javali que estava de molho na água com cinzas.
Maria Gomes perguntou curiosa:
— Por que deixar de molho na água com cinzas?
— Para amolecer as fibras.
Depois de limpar bem, Caio Soares jogou o tendão na água morna para cozinhar.
Cozinhou até amolecer num certo ponto, depois tirou e escorreu.
O tendão de javali seco foi estendido sobre a mesa de pedra e ele começou a bater levemente com um pedaço de madeira; esse processo exigiria centenas de batidas.
Maria Gomes, através da fogueira, observava Caio Soares repetir incansavelmente o mesmo movimento.
Do seu ângulo, via perfeitamente o perfil dele, determinado e concentrado.
E a cada esforço dele, os músculos se contraíam, parecendo ainda mais definidos... sexy.
Sexy?
Maria Gomes surpreendeu-se com o próprio pensamento; lambeu os lábios e de repente sentiu a boca seca.
Devia ter comido carne demais.
Ela pegou a sopa de amora e bebeu.
Mas seu olhar desviava involuntariamente para o corpo nu de Caio Soares.
Uma vontade estranha surgiu no fundo de seu coração.
Vontade de tocar, vontade de brincar.
Maria Gomes achou que estava enlouquecendo por estar há muito tempo sem homem.
Por isso, ao ver o corpo masculino, não conseguia se controlar, estava faminta.
Quando voltasse, decidiram que chamaria alguns modelos masculinos limpos.
O rosto teria que ser bonito como o de Caio Soares, e o corpo não poderia perder para o dele.
Enquanto pensava nisso, o olhar de Maria Gomes sobre Caio Soares tornava-se cada vez menos inocente, como se o acariciasse inteiro.
Caio Soares já havia percebido o olhar dela, e sentia-se quente e queimando por dentro.
Ao mesmo tempo, preocupava-se.
Será que o movimento das batidas estava bonito?
Sua postura estava boa?
Estava com alguma dobra na barriga ao sentar?
Seu perfil esquerdo era melhor ou o direito?
Caio Soares endireitou as costas, respirou fundo e, sem perceber, bateu centenas de vezes.
Bateu até as fibras se soltarem.
Ele largou o bastão mecanicamente, separou as fibras do tendão com movimentos mais desajeitados do que o normal e as colocou num local ventilado para secar à sombra.
Quando terminou, já estava na hora de descansar.
E Maria Gomes ainda o olhava.
Caio Soares respirou fundo e perguntou com a voz rouca:
— Maria, seu cabelo secou?
Maria Gomes voltou a si, desviou o olhar envergonhada e respondeu secamente:
— Secou.
— Então, vamos descansar?
— Vamos.
Maria Gomes reprimiu as ondas em seu coração, virou as roupas para secar o outro lado e colocou mais lenha.
Ela continuou dormindo do lado de dentro, e Caio Soares do lado de fora.
Os dois deitaram-se rígidos na cama, desejaram boa noite e fecharam os olhos.
— O quê? — O coração de Maria Gomes batia violentamente.
Ela deveria recusar.
Mas seu olhar caiu incontrolavelmente sobre os lábios de Caio Soares.
E depois desceu pouco a pouco, passando pelo peitoral firme e pelos gomos do abdômen.
Percebendo o olhar dela, Caio Soares perguntou impaciente:
— Quer tocar?
Sem esperar Maria Gomes responder, ele pegou a mão dela e a colocou sobre seu corpo.
Segurando a mão dela e olhando em seus olhos, ele a guiou de cima a baixo, num toque lento.
A mão de Maria Gomes era macia, com o cheiro morno de saponária, e a pele tocada ficava dormente.
O olhar dele era obscuro e ardente, contido e desejoso, reprimido e urgente.
— Maria. — Ele chamou em voz baixa.
— Solta. — Maria Gomes lutava com o coração acelerado.
Ela temia que sua força de vontade não fosse firme o suficiente e perdesse o controle.
Mas sua recusa não foi incisiva, parecia mais um convite disfarçado.
Caio Soares segurou a mão dela com firmeza, não permitindo que recuasse nem um centímetro, e perguntou rouco:
— Maria não gosta?
Ele a encarava fixamente, e no fundo de seus olhos parecia haver chamas ardentes dançando.
O calor fazia o coração de Maria Gomes encolher e pular.
A respiração de ambos ficou pesada.
Silenciosamente, a atmosfera na caverna tornou-se ambígua e densa.
No segundo seguinte, Caio Soares baixou a cabeça e mordeu os lábios de Maria Gomes...

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