Apenas ao ouvir o som da água, o coração de Caio Soares foi tomado por um calor estranho e intenso.
Ele se deu um tapa mental, xingando-se de animal.
Maria confiava nele, como ele podia trair essa confiança? Como podia ter pensamentos impuros?
Mas às vezes o cérebro humano tem vontade própria, os pensamentos fogem do controle e são inevitavelmente atraídos pelo som da água.
Caio Soares parecia dividido em dois naquele momento.
Um lado reprimia com todas as forças os instintos mais primitivos.
O outro lutava desesperadamente para romper as amarras e fazer o que bem entendesse.
— Caio, pode adicionar um pouco de água quente? — A voz de Maria Gomes soou.
— Claro, espere um pouco. — A voz de Caio Soares estava rouca.
Ele voltou a passos largos para a caverna e trouxe cinco bambus.
Ao levantar um canto da folha de bananeira, um vapor suave com cheiro de saponária veio ao seu encontro.
De lá de dentro, estendeu-se uma mão fina e branca, com algumas gotas cristalinas de água na pele.
Caio Soares prendeu a respiração; olhou uma vez e não ousou olhar mais, desviando o olhar enquanto entregava os bambus para Maria Gomes.
Durante a entrega, sua mão tocou acidentalmente a mão de Maria Gomes.
Seu coração deu um salto violento, a garganta se moveu, e ele recolheu a mão rapidamente, afastando-se.
O som da água recomeçou atrás dele.
Caio Soares esfregou os dedos, como se o calor do corpo de Maria Gomes ainda estivesse ali.
O zumbido dos insetos era constante, mas não conseguia abafar as batidas frenéticas do coração de Caio Soares.
Tão macia...
Tão cheirosa...
Quando ele lavou os bambus com saponária antes, o cheiro era tão bom assim?
Depois de se lavar, Maria Gomes vestiu-se rapidamente.
A roupa íntima de cima não podia ser trocada, teve que continuar com ela.
Maria Gomes vestiu a camisa de Caio Soares e segurou as calças.
Ela ainda se lembrava vividamente da última vez que vestiu a calça de Caio Soares e ela caiu assim que foi vestida.
Por isso, desta vez, ela segurou o cós e voltou para a caverna, onde procurou um cipó para amarrar na cintura, servindo de cinto.
— Maria, lavei suas roupas. — A voz de Caio Soares veio de fora.
Maria Gomes: — !!!
— Não precisa!!!
A calcinha dela estava lá no meio!!!
Afinal, era uma peça íntima, usá-la por muito tempo não era bom.
O sutiã não tinha jeito, mas a calcinha dava para lavar.
Mas como ela estava vestindo a calça larga de Caio Soares, sem nada por baixo, sentia-se um pouco inadequada.
Ela havia pensado muito e feito uma grande preparação psicológica antes de decidir trocar.
Quando Maria Gomes correu para fora da caverna, viu a mão grande de Caio Soares segurando uma pequena calcinha.
Maria Gomes queria cavar um buraco e voltar para dentro da caverna: — ...
Os movimentos de Caio Soares precisavam ser tão rápidos?
Ele precisava ser tão eficiente?
Ela pretendia colocar o cinto e depois sair para lavar a calcinha e pendurá-la lá fora.
Como estava calor e eram apenas dois pedaços pequenos de tecido, secaria sem precisar do fogo.
Ela lavou a calcinha mais uma vez antes de entrar.
Maria Gomes segurava a peça íntima, morrendo de vergonha por dentro.
— Tranquilo, é só uma peça de roupa, todo mundo usa. — Caio Soares tentou parecer indiferente, abaixando a cabeça para beber sua sopa de amora.
Mas a outra mão, apoiada na perna, estava fechada em um punho apertado.
Maria Gomes respirou fundo, forçou-se a se acalmar, caminhou até o suporte e pendurou a calcinha.
A caverna estava silenciosa, ouvia-se apenas o estalar da lenha queimando.
Para aliviar o clima, Maria Gomes começou a arrumar o cabelo.
O cabelo ainda não estava seco; ela o prendera durante o banho.
Agora, tirou o elástico, soltou os fios e começou a pentear enquanto se aquecia, fingindo estar muito ocupada.
Caio Soares pegou os galhos de olmo que trouxera naquele dia.
Usou a adaga para retirar o excesso de ramos e casca, nivelando as pontas.
Depois de observar um pouco, Maria Gomes perguntou:
— Caio, você está fazendo um arco?
— Sim, com um arco posso caçar faisões e coelhos. — Ele havia prometido a ela, então precisava cumprir.
Além disso, o arco e flecha serviriam para defesa.
Caio Soares aqueceu o galho de olmo limpo sobre o fogo.
Fazia isso para aquecer a madeira localmente, permitindo uma deformação controlada para ajustar a curvatura e a força do arco, aumentando assim a elasticidade e durabilidade.
Caio Soares ajustou a curvatura do arco.
Em seguida, passou a preparar o material para as flechas.
Para as hastes, escolheu galhos retos e leves, com diâmetro de meio a um centímetro e comprimento de setenta a noventa centímetros, limpando os ramos excedentes.

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