Caio Soares beijava com ferocidade, com força.
Como se quisesse engoli-la inteira.
Maria Gomes assustou-se e tentou empurrar, sem muita convicção, o corpo que se aproximava de repente.
Caio Soares, enquanto a beijava com força, segurou as mãos dela.
Ele virou o corpo, pressionando-a contra a cama, e forçou seus dedos por entre os dela, entrelaçando suas mãos.
A luz do fogo oscilava, e dentro da caverna, as respirações se misturavam desordenadamente.
O som dos beijos ecoava na caverna, explodindo em seus ouvidos.
Os cantos dos olhos de Maria Gomes ficaram vermelhos, as bochechas pálidas ganharam um tom ruborizado, e seus olhos que miravam Caio Soares estavam úmidos.
— Caio, aquela flor...
Maria Gomes entendeu; ela olhou para as flores vermelhas radiantes sobre a mesa de pedra.
A comida não poderia ter problema; apenas aquelas flores, trocadas naquele dia, eram a novidade.
Caio Soares, aproveitando o momento em que ela falava, invadiu com a ponta da língua...
Uma noite de paixão.
No dia seguinte, quando Maria Gomes acordou, estava sozinha na caverna.
A luz do sol entrava, a fogueira ainda queimava; Caio Soares devia ter deixado o fogo forte para que ela não sentisse frio enquanto dormia.
O buquê de flores vermelhas havia sido trocado por pequenas flores amarelas.
Algo cozinhava nos bambus ao lado do fogo, borbulhando.
Um aroma intenso de sopa de peixe invadiu suas narinas.
— Ronc, ronc.
O estômago de Maria Gomes foi despertado pelo cheiro da comida.
Ela apoiou os braços para se levantar.
Mas, assim que se mexeu, soltou um gemido de dor.
Seu corpo parecia ter sido atropelado várias vezes por um caminhão pesado, estava quase desmontando.
Caio Soares, que lavava frutas fora da caverna, ouviu o som e correu para dentro.
— Maria, acordou?
Maria Gomes sentou-se devagar; estava vestindo suas próprias roupas.
Caio Soares devia tê-la trocado, pois ela parecia ter desmaiado no final.
Ela sentiu o corpo discretamente; estava limpa e fresca, provavelmente ele a havia limpado.
Ao pensar nisso, as bochechas de Maria Gomes coraram levemente.
Mas, lembrando que na noite anterior tinham feito coisas muito mais absurdas...
Ser limpa não parecia mais grande coisa.
Caio Soares agachou-se diante dela com água morna, apreensivo e gentil:
— Beba um pouco de água.
— Obrigada. — A voz de Maria Gomes estava irreconhecivelmente rouca.
Ela pegou a água e bebeu, mas, pelo canto do olho, viu o pescoço de Caio Soares.
Estava coberto de marcas de chupões e mordidas.
Os cílios de Maria Gomes tremeram, como se estivesse assustada.
Ela mordeu?!
Ela foi tão selvagem assim?
Não ousou olhar mais, baixou o olhar e fixou-se na roupa de Caio Soares.
Mas ao ver aquela roupa, não pôde deixar de lembrar...
Na noite anterior, com medo de que o mato machucasse a pele dela, Caio Soares colocara a própria roupa embaixo dela, e acabou sujando...
Maria Gomes não ousou olhar mais nada, com medo de relembrar a noite anterior.
Ela baixou as sobrancelhas e bebeu a água em pequenos goles.
Quando Maria Gomes terminou de beber, Caio Soares a chamou, nervoso:
— Maria.
Ele não ousou ir muito longe, preocupado com a segurança de Maria Gomes.
E também com medo de que ela acordasse, não visse ninguém e pensasse que ele era irresponsável e tinha fugido.
Caio Soares colocou o peixe na folha de bananeira, tirou pacientemente as espinhas e entregou a ela.
Depois de comer o peixe e tomar a sopa, Caio Soares ofereceu as frutas recém-colhidas.
Ele já havia provado, não eram venenosas.
Depois de comer, Maria Gomes sentiu que o corpo doía menos.
Ela foi lá fora lavar o rosto e a boca, e ao se virar, viu Caio Soares seguindo-a como um cachorro grande.
Ela riu; a luz do sol em seu rosto não era tão radiante quanto ela.
Maria Gomes perguntou:
— Você pensou bem?
Caio Soares assentiu firmemente.
— Maria, minha mente sempre esteve clara, sei o que estou fazendo e o que quero. Pensei muito bem.
— Não se arrepende? — Perguntou Maria Gomes.
Como poderia se arrepender?
Ele mal podia esperar para se casar com Maria Gomes e se tornar o Sr. Soares dela.
Só lamentava que, por causa do vírus zumbi, não pudesse ter filhos, senão, com o esforço da noite anterior...
Ele poderia garantir seu status através de um filho.
— Então vamos conversar. — Disse Maria Gomes.
Caio Soares assentiu, e os dois levaram os bancos de pedra para fora da entrada.
Havia brisa da montanha e luz do sol.
Prepararam um chá de hortelã e comeram algumas frutas.
Era um momento agradável.
— Se for por responsabilidade, não precisa. — Maria Gomes foi direta. — Casamento sem sentimento é um túmulo. Posso fingir que nada aconteceu ontem à noite, continuamos amigos.

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