— Caio, que tal você dormir na cama também?
Caio Soares jamais sonhara que poderia dormir na cama.
Só de dividir o mesmo ambiente com Maria Gomes já era motivo de alegria para ele.
Por isso, ao ouvir aquilo de repente, ele travou, achando que era alucinação auditiva.
— O que você disse? — Ele olhou para Maria Gomes, atônito.
Antes de falar, Maria Gomes ainda sentia um pouco de vergonha.
Afinal, por melhor que fosse a relação, eram homem e mulher.
Mas depois que as palavras saíram, e como ela não tinha segundas intenções, agiu com naturalidade.
— Eu disse para você não dormir no sofá, venha para a cama. Ela é grande, cabem duas pessoas.
Caio Soares ficou tentado, quase pulou do sofá.
Mas acabou balançando a cabeça com dificuldade.
— Não precisa, eu durmo no sofá.
— Esse sofá é muito pequeno, você vai dormir mal.
— Já dormi em lugares piores, o sofá é luxo. Além disso, dormir na mesma cama não é bom para você.
E o mais importante: ele não confiava no próprio autocontrole.
Tinha medo de virar um animal no meio da noite e atacar Maria Gomes.
Maria Gomes ergueu uma sobrancelha.
— Quem vai saber que dormimos na mesma cama? Além do mais, se você não descansar bem, como vai me proteger?
Caio Soares, que já tinha a vontade fraca, foi convencido pelas palavras de Maria Gomes.
Ele levantou do sofá pegando o travesseiro.
— Maria, eu durmo muito quieto, pode ficar tranquila. — Garantiu Caio Soares.
Ele dizia isso não só para ela, mas para si mesmo.
Precisava se comportar à noite!!
Maria Gomes lembrou-se de uma piada e perguntou:
— Vocês militares dormem em posição de sentido também? Conseguem ficar imóveis numa posição só?
Caio Soares colocou o travesseiro na cama.
— Não é para tanto.
Antes de deitar, Caio Soares checou as portas e janelas novamente.
Ele já tinha feito isso, mas tratando-se de segurança, nunca era demais.
Foi até a janela e espiou pela fresta da cortina.
Com sua visão atual, mesmo na penumbra, enxergava longe e com clareza.
As sombras das árvores dançavam, os insetos cantavam; nada anormal.
Estavam no palácio presidencial, afinal.
A segurança era forte.
— Tudo certo? — Perguntou Maria Gomes, sentada de pernas cruzadas na cama.
— Tudo certo, seguro.
Caio Soares voltou para a cama e entregou uma arma para Maria Gomes.
— Por precaução, coloque debaixo do travesseiro.
Ele não duvidava que ela soubesse usar.
Quando levaram Jorge Scholze ao parque, Maria Gomes ganhou o prêmio máximo no jogo de tiro.
E Caio Soares fazia flexões com um dedo só no quarto.
Maria Gomes tinha acabado de acordar, o cérebro ainda ligando, meio atordoada, olhando fixamente para ele.
O corpo do homem estava tenso, costas largas, cintura estreita, glúteos definidos e pernas longas.
O suor molhava a roupa, colando-a ao corpo, delineando ainda mais os músculos perfeitos.
O perfil do rosto tenso era esculpido e firme.
O suor escorria pelo rosto, gota a gota; o ar parecia carregado de feromônios.
Caio Soares percebeu o olhar de Maria Gomes e se esforçou ainda mais, caprichando na forma de cada movimento.
Ao terminar e se levantar, fingiu ter acabado de notá-la.
— Maria, acordou?
Maria Gomes já estava lúcida, sorriu e acenou.
— Bom dia, Caio. Contei aqui, você fez 300, incrível.
Caio Soares entregou um copo de água morna para ela.
— Faço mil toda manhã agora.
Com seu físico atual, mil era apenas o básico.
Maria Gomes bebeu a água e foi se lavar.
Como na noite anterior, Caio Soares já tinha deixado a pasta na escova.
— Caio, você é tão atencioso, até a pasta de dente. — Disse ela, falando com a boca cheia de espuma.
Enquanto arrumava a cama onde Maria Gomes dormira, ele respondeu:
— Não custa nada. Além disso, cuidar de você e protegê-la é minha missão.
Quando Maria Gomes saiu do banheiro, a cama já estava impecável.

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