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Cinzas de Amor e Glória romance Capítulo 589

— Caio, que tal você dormir na cama também?

Caio Soares jamais sonhara que poderia dormir na cama.

Só de dividir o mesmo ambiente com Maria Gomes já era motivo de alegria para ele.

Por isso, ao ouvir aquilo de repente, ele travou, achando que era alucinação auditiva.

— O que você disse? — Ele olhou para Maria Gomes, atônito.

Antes de falar, Maria Gomes ainda sentia um pouco de vergonha.

Afinal, por melhor que fosse a relação, eram homem e mulher.

Mas depois que as palavras saíram, e como ela não tinha segundas intenções, agiu com naturalidade.

— Eu disse para você não dormir no sofá, venha para a cama. Ela é grande, cabem duas pessoas.

Caio Soares ficou tentado, quase pulou do sofá.

Mas acabou balançando a cabeça com dificuldade.

— Não precisa, eu durmo no sofá.

— Esse sofá é muito pequeno, você vai dormir mal.

— Já dormi em lugares piores, o sofá é luxo. Além disso, dormir na mesma cama não é bom para você.

E o mais importante: ele não confiava no próprio autocontrole.

Tinha medo de virar um animal no meio da noite e atacar Maria Gomes.

Maria Gomes ergueu uma sobrancelha.

— Quem vai saber que dormimos na mesma cama? Além do mais, se você não descansar bem, como vai me proteger?

Caio Soares, que já tinha a vontade fraca, foi convencido pelas palavras de Maria Gomes.

Ele levantou do sofá pegando o travesseiro.

— Maria, eu durmo muito quieto, pode ficar tranquila. — Garantiu Caio Soares.

Ele dizia isso não só para ela, mas para si mesmo.

Precisava se comportar à noite!!

Maria Gomes lembrou-se de uma piada e perguntou:

— Vocês militares dormem em posição de sentido também? Conseguem ficar imóveis numa posição só?

Caio Soares colocou o travesseiro na cama.

— Não é para tanto.

Antes de deitar, Caio Soares checou as portas e janelas novamente.

Ele já tinha feito isso, mas tratando-se de segurança, nunca era demais.

Foi até a janela e espiou pela fresta da cortina.

Com sua visão atual, mesmo na penumbra, enxergava longe e com clareza.

As sombras das árvores dançavam, os insetos cantavam; nada anormal.

Estavam no palácio presidencial, afinal.

A segurança era forte.

— Tudo certo? — Perguntou Maria Gomes, sentada de pernas cruzadas na cama.

— Tudo certo, seguro.

Caio Soares voltou para a cama e entregou uma arma para Maria Gomes.

— Por precaução, coloque debaixo do travesseiro.

Ele não duvidava que ela soubesse usar.

Quando levaram Jorge Scholze ao parque, Maria Gomes ganhou o prêmio máximo no jogo de tiro.

E Caio Soares fazia flexões com um dedo só no quarto.

Maria Gomes tinha acabado de acordar, o cérebro ainda ligando, meio atordoada, olhando fixamente para ele.

O corpo do homem estava tenso, costas largas, cintura estreita, glúteos definidos e pernas longas.

O suor molhava a roupa, colando-a ao corpo, delineando ainda mais os músculos perfeitos.

O perfil do rosto tenso era esculpido e firme.

O suor escorria pelo rosto, gota a gota; o ar parecia carregado de feromônios.

Caio Soares percebeu o olhar de Maria Gomes e se esforçou ainda mais, caprichando na forma de cada movimento.

Ao terminar e se levantar, fingiu ter acabado de notá-la.

— Maria, acordou?

Maria Gomes já estava lúcida, sorriu e acenou.

— Bom dia, Caio. Contei aqui, você fez 300, incrível.

Caio Soares entregou um copo de água morna para ela.

— Faço mil toda manhã agora.

Com seu físico atual, mil era apenas o básico.

Maria Gomes bebeu a água e foi se lavar.

Como na noite anterior, Caio Soares já tinha deixado a pasta na escova.

— Caio, você é tão atencioso, até a pasta de dente. — Disse ela, falando com a boca cheia de espuma.

Enquanto arrumava a cama onde Maria Gomes dormira, ele respondeu:

— Não custa nada. Além disso, cuidar de você e protegê-la é minha missão.

Quando Maria Gomes saiu do banheiro, a cama já estava impecável.

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