Ele era um mestre de casa.
Era a disciplina e a eficiência militar em ação.
Ouviram batidas na porta; eram os outros três guarda-costas.
Caio Soares abriu apenas uma fresta, bloqueando a entrada deles.
— Esperem um pouco, Maria está se trocando.
O pijama de Maria Gomes era uma roupa casual e ela estava vestida por baixo, então não haveria problema se entrassem.
Mas Caio Soares não queria que olhassem muito, e fechou a porta com um estalo.
Maria Gomes não disse nada, entrou no closet e trocou-se rapidamente para sair.
Foram levados ao restaurante para comer.
Após a refeição, Maria Gomes reuniu-se com a equipe médica de Green.
Ela apresentou o plano que elaborara na noite anterior.
Primeiro, usariam a acupuntura tradicional para controlar a propagação da doença em Green.
Simultaneamente, o laboratório aceleraria a pesquisa para desenvolver o antídoto específico.
O inglês de Maria Gomes era fluente, conciso e preciso; explicou o plano rapidamente, e agora dependia da aceitação deles.
Claro que a decisão não cabia a ela, e como a equipe precisava analisar, ela não podia deixar o palácio.
Serik designou alguém, uma espécie de mordomo, para cuidar dela.
Ela tinha liberdade para circular pelo palácio.
Passear no jardim, remar no lago, pescar, fazer churrasco, jogar golfe ou usar a academia e a piscina.
Maria Gomes sentou-se à sombra de uma árvore perto do lago; o mordomo trouxe frutas e ela preparou uma salada de frutas.
Enquanto comia tranquilamente, ligou para Antônio Freitas.
Aproveitou para perguntar sobre o vovô e a vovó Paz.
Antes de partir, eles eram seus pacientes.
Como médica responsável, tinha o dever de se importar.
Antônio Freitas disse:
— O vovô está se recuperando mais devagar, a vovó já consegue se mexer.
— Antônio, eu já disse, sou sua bisavó. — A voz de vovó Paz surgiu no telefone.
Em seguida, a voz de Antônio Freitas:
— Tem certeza? Minha bisavó está enterrada.
Maria Gomes quase cuspiu a salada de frutas.
A boquinha de Antônio era venenosa.
Mas era satisfatório ouvir.
Vovó Paz explicou pacientemente:
— Antônio, sou mãe do seu avô, então sou sua bisavó, entende? Crianças devem ter educação.
Antônio Freitas:
— Só sou educado com quem é educado.
Vovó Paz deve ter ficado brava, pois calou-se.
— É melhor não se irritar, senão o tratamento não funciona. Aí vai colocar a culpa em mim. Além disso, só falei a verdade, por que a raiva?
Como estavam no palácio presidencial, a comunicação era monitorada.
Por isso ele disse "mulher" (esposa/amada).
Maria Gomes entendeu, mas Patrício Freitas não.
Patrício Freitas desmoronou na hora.
— Do que você chamou a Maria?
Caio Soares estava doido para se gabar, e Patrício Freitas veio a calhar.
Ele disse com orgulho:
— Minha mulher, ué. O que mais seria? Diretor Freitas, eu e a Maria estamos no mesmo quarto, dormindo na mesma cama. Então, por favor, desista e pare de assediar minha amada.
— Impossível! Como pode ser!
— Diretor Freitas, não se iluda. Você e a Maria terminaram há muito tempo. Pelo bem do Antônio, mantenha a dignidade de um adulto. Continuar insistindo só trará vergonha para você.
Na verdade, já era vergonhoso agora.
Mas Patrício Freitas não se conformava.
Agora ele entendia o peso daquela famosa frase de filme:
"Houve um tempo em que um amor sincero estava diante de mim, e eu não dei valor.
Só quando o perdi é que me arrependi amargamente; não há dor maior no mundo do que essa.
Se os céus me dessem uma chance de recomeçar, eu diria três palavras a ela: Eu te amo.
Se tivesse que colocar um prazo nesse amor, eu desejaria que fosse dez mil anos."
Mas Maria Gomes não queria dar a ele nem a chance de falar...

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