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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 34

O escritório de Rafael era todo vidro, aço e silêncio.

Um lugar que deixava qualquer um desconfortável.

Menos Isabella Moretti.

Ela entrou como se entrasse num camarim.

Bolsa pendurada no ombro, perfume doce demais para um ambiente sério, batom rosado e aquele olhar de quem ensaiou a expressão no espelho antes de sair de casa.

— Rafa… — ela chamou, com voz de algodão doce estragado. — Posso?

Rafael nem levantou os olhos do contrato.

— Não.

Isabella sorriu mesmo assim.

Porque Isabella não sabia perceber limites — apenas ignorar.

Ela entrou, fechou a porta devagar, como quem faz parte da vida do homem ali dentro.

Chegou até a mesa e se inclinou, exibindo a postura de “sou frágil e especial”.

— Eu fiquei tão triste esses dias… — ela começou, suspirando como atriz de novela das seis. — Você não foi me ver no hospital. Eu fiquei tão assustada. Eu achei que tinha te magoado… eu achei que—

— Isabella. — Rafael cortou, voz baixa, precisa, perigosa. — Saia.

Ela travou só por um instante, mas logo reaprendeu a máscara.

— Rafa… eu entendo que você esteja tenso por causa daquela moça… mas eu queria que você soubesse que eu—

Ela aproximou a mão da dele.

Bem devagar.

Rafael puxou a mão antes de ela tocar.

— Não faça isso.

O sorriso dela rachou.

— Rafa… eu só estou preocupada. Eu pensei que… com tudo que vivemos… você ainda tivesse… carinho por mim.

Rafael fechou o contrato.

Devagar.

Com a calma de quem está controlando um incêndio interno.

— Isabella, não existe "nós".

Nem amizade.

Nem confiança.

Nem nada.

Ela piscou várias vezes, como se tentasse processar.

— Mas… depois da piscina… depois de você me salvar… eu pensei que—

— Eu teria salvado QUALQUER pessoa que estivesse dentro da minha casa. — Rafael devolveu, firme. — Não confunda humanidade com afeto.

O rosto dela caiu.

Mas Isabella não desiste fácil.

Ela tentou outra abordagem — voz chorosa, olhos brilhando, lábio tremendo.

— Eu sei que você está… estressado com sua… esposa. Mas você sabe como essas coisas são. Ela é… instável. Eu achei que poderia ajudar você a lidar com—

Rafael respirou fundo, apoiando as duas mãos na mesa.

Um gesto simples.

Mas que fez Isabella recuar meio passo.

— Você veio aqui falar da minha esposa? — ele perguntou, voz gelada.

— Eu só quero o seu bem…

— Então nunca mais fale dela. — Rafael finalizou. — Nem comigo. Nem com ninguém.

Silêncio.

Silêncio pesado.

Isabella tentou mais uma vez:

— Eu… eu sinto que você está diferente comigo. Eu sinto que alguma coisa aconteceu. Se eu fiz algo, me diga. Eu posso melhorar, Rafa. Eu posso—

— Chega. — Rafael levantou o olhar, e era aço puro. — Saia do meu escritório. Agora.

O tremor real veio.

Nos olhos dela.

— Rafael… por favor… não me trata assim…

Ele não respondeu.

Levantou a mão e apontou para a porta.

Como quem expulsa uma sombra.

Isabella respirou fundo, forçou um sorriso quebrado e tentou recuperar um mínimo de dignidade.

— Eu volto quando você estiver mais calmo. — ela sussurrou.

— Não volte. — Rafael disse, seco.

A frase brutal bateu nela como tapa.

Ela piscou, quase perdeu o ar, virou de costas e saiu devagar, tentando não chorar na frente da equipe inteira.

— Ele… ele me tratou como se… como se eu fosse um problema. — ela deixou a voz tremer. — Disse que não existe “nós”… que não há afeto… que eu não sou nada pra ele…

Vittoria ficou em silêncio por três segundos.

Três segundos longos, perigosos.

— Eu vou conversar com meu filho. — ela disse, firme, letal. — Isso não fica assim.

Isabella apertou o lenço contra o rosto, exageradamente frágil.

— Eu só… eu só queria ajudar. Só queria apoiar ele depois de tudo que aconteceu na festa… eu achei que… que ele precisava de alguém que realmente entende ele… mas… ele está mudado, dona Vittoria. Mudado.

Vittoria fechou a boca com raiva audível.

— É por causa dela. — cuspiu. — Aquela garota está envenenando meu filho.

Isabella engoliu o sorriso.

O veneno dela estava funcionando.

— Eu… eu tenho medo que ele esteja me odiando por causa dela. — Isabella choramingou. — Eu só queria que as coisas voltassem ao normal…

— Eu vou resolver isso. — Vittoria prometeu. — Eu garanto que isso não vai continuar assim.

Isabella deixou o silêncio pairar, como uma rosa murchando na chuva.

— Obrigada… — sussurrou. — Obrigada por não me deixar sozinha nisso.

E desligou.

Lenta.

Dramática.

Como se tivesse acabado de ser ferida pelo amor da própria vida.

Mas quando guardou o celular…

O rosto dela mudou.

O choro sumiu.

A fragilidade evaporou.

O olhar ficou seco e duro.

Quase cruel.

Ela puxou a bolsa no ombro.

— Se você acha que vai me trocar por ela, Rafael… — murmurou — …você me subestima.

E caminhou até o carro.

Sem uma lágrima sequer.

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