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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 31

Rafael ainda estava soltando o nó da gravata quando ouviu o salto agudo de Vittoria atravessando o corredor como uma sentença.

A porta do escritório se abriu sem permissão — como sempre.

— RAFAEL! — ela entrou já berrando, peito arfando, jóias tilintando. — Eu EXIJO explicações!

Rafael piscou uma vez. Lento. Perigoso.

— Boa tarde pra senhora também, mãe.

— Não me venha com ironia! — ela avançou. — Você me HUMILHOU na frente daquela… daquela… garota e da AMIGA DELA! Eu, sua mãe, a dona desta casa! Você perdeu completamente o juízo?!

Rafael fechou a pasta sobre a mesa, manteve a expressão neutra.

— Eu apenas disse a verdade.

Vittoria bateu a bolsa no sofá.

— E agora? Hein? Você passou DOIS DIAS sem ver Isabella no hospital! A MINHA menina! A menina que sempre ESTEVE ao seu lado! Sofrendo, traumatizada, arrasada! E você…

Rafael ergueu uma sobrancelha.

— Isabella teve alta no segundo dia. Não havia trauma nenhum. Só drama.

O rosto dela ficou vermelho.

— Como você ousa falar assim?! Enquanto ISSO, aquela garota — apontou o dedo para o andar de cima — está lá embaixo servindo CHÁ para uma amiga iguaaal a ela! Classe baixa, sem modos, sem postura…

Rafael respirou fundo. Pesado.

— Mãe.

Só isso.

Mas o suficiente para gelar o ar.

— Valentina ficou cinco dias trancada num quarto. Doente. Febril. Sem conseguir levantar. — Ele disse, sem desviar o olhar. — Ela é minha esposa. Receber uma amiga é o mínimo.

Vittoria arregalou os olhos, incrédula.

— Você está DEFENDENDO ela?!

— Não estou defendendo ninguém — ele retrucou, frio. — Estou dizendo fatos. E já que a senhora insiste em “classe”… aquela moça na sala é Bianca Kato. Neta de Virginia Kato, dona das farmacêuticas K.

Vittoria empalideceu na mesma hora.

Rafael continuou, sem dó:

— E se quer um pouco mais de cultura geral, a senhorita Kato está a um passo de ganhar o prêmio Nobel de medicina.

Vittoria abriu a boca. Fechou. Abriu de novo.

Parecia um peixe caro fora d’água.

— Isso não muda nada — ela resmungou, tentando se recompor. — Qualquer mulher seria melhor que a sua esposa.

Rafael soltou o ar pelo nariz, quase um riso curto — mas um riso sem humor, sem calor.

— Sim, mãe. Qualquer mulher seria melhor.

Um silêncio caiu entre eles. Pesado. Inconfortável. Real.

Rafael ergueu o olhar, firme:

— Mas é uma pena que uma das advogadas mais brilhantes formadas nos Estados Unidos… não seja “nada” aqui dentro dessa casa.

Vittoria corou até a raiz do cabelo.

— Seu ingrato… seu ingrato… — ela resmungava enquanto recolhia a bolsa, caminhando para a porta como se carregasse o mundo ofendido nas costas.

— Se não tiver mais nada para falar — Rafael completou, já abrindo outra pasta — feche a porta ao sair. Estou ocupado.

Ela saiu. Pisando duro.

A porta bateu com força.

Rafael só então tirou o paletó, jogando sobre a cadeira.

Sentou.

Pegou o telefone.

Sua voz saiu baixa. Mortal.

— Descubra quem está ameaçando minha esposa com cinco milhões.

Você tem duas horas pra achar o culpado.

E desligou.

Sem respirar fundo.

Sem pensar duas vezes.

Um predador que escolheu um alvo.

E Deus tenha piedade desse alvo — porque ele não teria.

Os saltos de Vittoria atravessaram o mármore como se cada passo fosse um xingamento.

Bianca ficou olhando a porta fechar…

Depois virou devagar para Valentina.

A sobrancelha arqueada.

A cara de horror teatral.

E sussurrou:

— Eu não sabia que o Drácula podia sair de dia…

Valentina tapou a boca na hora.

Mas falhou miseravelmente.

Parecia estar tentando decidir se era insulto, sarcasmo ou insanidade pura.

Ela recolheu a bandeja com a postura militar de quem está prestes a entregar a própria vida numa batalha imaginária.

— Trago em seguida. — disse, rígida.

E saiu.

A porta fechou.

Bianca soltou:

— GENTE. Eu juro. Essa casa precisa de um padre, um psicólogo e um extermínio completo.

Valentina gargalhou, desabando no sofá.

— Bianca… você não presta.

— Eu sei. — Ela cruzou as pernas. — Mas você precisava rir. E eu precisava ver esse zoológico ao vivo.

Valentina respirou fundo, limpou uma lágrima do canto do olho.

— Obrigada, Bi.

Bianca sorriu, dessa vez sem sarcasmo.

— Sempre, minha linda. Tu não vai afundar aqui não. Se eu tiver que te tirar dessa mansão no colo igual bombeiro, eu vou.

Valentina sorriu de volta — aquele sorriso raro, suave, que só Bianca arrancava.

E foi nesse clima leve que…

A porta se abriu de novo.

Mas agora não era Clara. Nem Vittoria. Nem um morcego perdido.

Era Rafael.

Terno impecável.

O olhar de aço.

A presença que sempre mudava o ar.

Bianca abriu um sorriso diabólico.

E antes que Valentina pudesse impedir, ela disse:

— Olá, cunhado.

Valentina fechou os olhos.

Socorro.

Rafael encarou Bianca. Depois encarou Valentina. Depois voltou para Bianca.

E Bianca sorriu igual criança que acabou de descobrir fogo.

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