O país inteiro estava falando deles. Não importava onde Valentina olhasse — televisão, celular, portais de notícias, redes sociais — o nome dela estava lá. O nome dele estava lá. E, agora, os dois não eram mais um casal poderoso.
Eram um escândalo.
“ESPOSA PROCESSA BILIONÁRIO POR CRIMES FINANCEIROS E CONSPIRAÇÃO”
“CASAMENTO POR CONTRATO: FARSA OU ESTRATÉGIA?”
“VALENTINA DINIZ ACUSA RAFAEL MONTENEGRO DE MANIPULAÇÃO E CRIMES MILIONÁRIOS”
As manchetes se repetiam como um eco incessante, alimentando a curiosidade pública, inflamando opiniões, criando lados. E, pela primeira vez, Valentina não estava sendo apenas observada.
Ela estava sendo ouvida.
O escritório tinha se transformado em um campo de guerra silencioso, onde cada ligação atendida, cada documento enviado e cada declaração dada carregava peso estratégico. Lurdes mal conseguia acompanhar o ritmo, alternando entre ligações da imprensa, advogados e pedidos de entrevistas que pareciam não ter fim.
— Senhora… a GloboNews quer um posicionamento oficial — disse ela, já com o tablet na mão. — E três portais internacionais também estão solicitando resposta.
Valentina não levantou os olhos imediatamente. Estava sentada, mas não relaxada. A postura era ereta, controlada, quase fria demais para alguém que estava no centro de um escândalo daquele tamanho.
Ela terminou de assinar o documento à sua frente antes de falar.
— Eles vão ter.
Lurdes hesitou por um segundo.
— Todos?
Valentina finalmente ergueu os olhos.
E havia algo diferente ali.
Não era mais só dor.
Era domínio.
— Todos — respondeu, sem vacilar. — Esse caso não vai ser abafado. Nem aqui… nem fora.
Lurdes assentiu, já anotando mentalmente cada direcionamento.
— Prepare um comunicado. Claro, direto… e sem emoção.
Uma pausa.
— Quero que entendam que isso não é pessoal.
Ela inclinou levemente a cabeça.
— É justiça.
Mas, no fundo… era pessoal.
E muito.
Pouco tempo depois, a declaração já estava sendo replicada em todos os canais possíveis. Vídeos, cortes, análises, especialistas sendo chamados para comentar o caso que, em poucas horas, já estava sendo apelidado de:
“O julgamento do século.”
E Valentina alimentava aquilo.
Não com descontrole.
Mas com precisão.
Documentos começaram a “vazar”. Informações antes restritas passaram a circular em portais influentes. Trechos do contrato de casamento vieram à tona, deixando claro que aquela união não tinha sido construída sobre amor, mas sobre termos, condições… e interesses.
A reação foi imediata.
— Meu Deus… então era tudo armado?
— Ela foi usada?
— Ele comprou um casamento?
— Isso é doentio…
A imagem de Rafael Montenegro começava a rachar.
E Valentina assistia.
De pé, ao lado da janela do seu escritório, observando a cidade lá embaixo enquanto a televisão ligada atrás dela repetia, pela terceira vez, a análise de um comentarista jurídico.
— Se essas acusações forem comprovadas, estamos diante de um dos maiores escândalos empresariais do país…
Ela não se virou.
Não precisava.
Já sabia o efeito que aquilo estava causando.
E, pela primeira vez em dias…
sentiu que estava no controle.
Do outro lado da cidade, o cenário era outro.
Mas o caos era o mesmo.
A frente da sede da Montenegro estava tomada.
Câmeras.
Microfones.
Repórteres falando ao vivo.
O nome dele sendo repetido sem pausa.
— Estamos aqui em frente à Montenegro Group, onde há grande expectativa para a saída de Rafael Montenegro, alvo de graves acusações feitas por sua ex-esposa—
O burburinho aumentou de repente.
Portas se abriram.
E, para quem assistia de fora…
o silêncio dizia mais do que qualquer palavra.
No escritório, Valentina assistia à cena.
Os olhos fixos na tela.
Cada pergunta.
Cada acusação.
Cada silêncio dele.
Ela não piscava.
Não desviava.
Não hesitava.
E, quando a imagem congelou no momento em que Rafael entrava no carro, ela inclinou levemente a cabeça, como se analisasse tudo aquilo sob uma lente fria, distante.
— Continua se escondendo… — murmurou, quase para si mesma.
Mas, no fundo…
aquilo não parecia fuga.
Parecia escolha.
E isso a irritou mais do que qualquer resposta teria irritado.
Ela pegou o controle remoto e desligou a televisão.
O silêncio tomou conta da sala novamente.
Mas não era o mesmo silêncio de antes.
Agora… era um silêncio carregado de guerra declarada.
Valentina se virou, caminhando até sua mesa, os saltos marcando o ritmo firme de cada passo. Pegou um dos documentos já separados, passando os olhos rapidamente pelas páginas antes de fechar a pasta com decisão.
— Vamos até o fim — disse, a voz baixa, firme, carregada de algo que não voltaria atrás.
Porque, naquele ponto…
já não era mais sobre provar.
Era sobre destruir.
E, enquanto o mundo assistia, julgava e escolhia lados…
Valentina Diniz já tinha escolhido o dela.
E não havia mais espaço para recuar.

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