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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 293

O final de semana passou rápido demais.

Tão rápido que, quando Valentina entrou no escritório na segunda-feira de manhã, com o salto ecoando pelo mármore polido e a bolsa presa ao ombro, teve a sensação estranha de que mal havia respirado entre um dia e outro. Sábado tinha sido uma mistura de álcool, música e despedida mal disfarçada. Bianca e ela beberam tanto no Bar Nuvem que, no domingo, Valentina acordou com a cabeça latejando, o estômago virado e uma ressaca que fez qualquer pensamento mais profundo parecer castigo. À tarde, a despedida no aeroporto tinha sido quase uma novela mexicana de tão dramática.

— Eu vou ficar menos de um mês, para de chorar — Bianca dissera, já chorando também, o rosto molhado, a voz embargada e completamente incapaz de sustentar a própria tentativa de parecer racional.

Valentina rira no meio das lágrimas.

— Então para você também.

E nenhuma das duas parou.

Lucas e Rafael ficaram mais calados do que o normal durante toda a cena, imóveis naquela postura masculina e inútil de quem não sabe o que fazer diante de duas mulheres chorando e decide simplesmente existir por perto. Lucas parecia mais duro, mais fechado, como se cada passo de Bianca em direção ao embarque fosse uma afronta pessoal. Rafael, por sua vez, apenas observava, silencioso demais até para os padrões dele.

Quando Bianca finalmente desapareceu depois do portão de embarque, Valentina voltou para casa com um vazio estranho no peito, subiu para o quarto e se trancou ali o restante do dia. Dormiu como quem tenta fugir de alguma coisa e acordou na segunda com o corpo recuperado, o rosto impecável, a roupa perfeita e a sensação incômoda de que nada dentro dela estava realmente pronto para retomar a rotina.

Ainda assim, ela foi.

Porque rotina, às vezes, era só o nome elegante da sobrevivência.

Na sala dela, o escritório já fervia com a energia de sempre. O vidro amplo revelava a cidade pulsando lá fora, carros em movimento, gente correndo, decisões sendo tomadas em todos os andares daquele prédio. Lurdes falava diante dela com o tablet nas mãos, organizada como sempre, revisando compromissos, horários, reuniões e demandas acumuladas, mas Valentina mal prestava atenção. Sua cabeça estava em outro lugar desde o instante em que sentara na cadeira.

— Temos reunião com o jurídico tributário às dez, a videoconferência com a equipe de Lisboa às onze e meia, às treze horas o almoço com o cliente do setor de importação, e às quinze...

Valentina soltou um suspiro leve e ergueu os olhos para a assistente, oferecendo um sorriso pequeno, quase ausente.

— Ok. Me traga um café.

— Sim, senhora.

Lurdes assentiu e saiu da sala.

O silêncio que ficou depois pareceu maior do que deveria.

Valentina virou lentamente a cadeira na direção da janela, observando a cidade abaixo. A vista era bonita. Limpa. Distante. Tudo parecia ordenado dali de cima. Empresas, pessoas, poder, dinheiro, agendas, contratos. O mundo gostava de parecer lógico quando visto de longe. Era de perto que ele apodrecia.

Sem perceber, sua mão foi até a bolsa.

O couro escuro estava ao seu lado, repousado como qualquer outro objeto banal de uma manhã de trabalho. Mas ela sabia o que havia ali dentro. O caderno de anotações da mãe. A chave. O peso dos segredos que ainda não tinham terminado de se revelar.

Os dedos dela apertaram a borda da bolsa.

— Tenho que voltar no galpão — murmurou.

A própria voz ecoou baixa no escritório silencioso, e a frase, dita em voz alta, pareceu ganhar corpo. Como se tivesse saído do campo da ideia e se tornado decisão no mesmo instante.

Talvez fosse lá que encontrasse a peça que faltava. Talvez encontrasse, enfim, a prova de que Rogério havia manipulado tudo. Talvez descobrisse por que um homem como ele quis tanto aquele dinheiro no início, por que sempre orbitou a ruína da família Diniz como um abutre paciente. Talvez houvesse uma antiga rixa entre ele e o pai dela. Talvez existisse uma guerra enterrada sob os escombros da falência. Talvez, finalmente, ela entendesse como um império sólido havia afundado de maneira tão brutal.

A porta se abriu de novo.

Lurdes entrou com a bandeja e colocou o café na mesa.

— Lu... aquele estagiário novo que veio de Oxford ainda está aqui?

Lurdes olhou para o tablet, deslizou os dedos pela tela e então assentiu.

Sem hesitação.

Só quando dobrou o corredor e teve certeza de que ninguém a seguia de perto foi que mudou discretamente o rumo, abrindo a pesada porta de acesso à escada de incêndio. O ar ali dentro era mais frio, mais abafado, cheirando a concreto e metal. O som do escritório ficou para trás quando a porta se fechou, e então ela desceu.

Rápido.

Mas sem correr.

O coração batia alto demais. Não por medo de ser pega. Não exatamente. Era outra coisa. A sensação de estar atravessando, mais uma vez, a linha entre a vida que todos viam e a vida que ela começava a viver nas sombras.

Saiu pela rua dos fundos.

Ali o movimento era menor, quase indiferente ao prédio que se erguia grandioso poucos metros atrás. Valentina ergueu a mão e parou um táxi com facilidade.

Durante o trajeto, não olhou o celular uma única vez.

Mantinha o caderno apertado contra o corpo enquanto via a cidade passar pela janela, borrada, veloz, quase irreal. Cada segundo que a aproximava do depósito parecia afundá-la mais numa espécie de silêncio interno, aquele estado em que o corpo continua funcionando, mas a alma já sabe que algo ruim está esperando.

Quando chegou, pagou o motorista e desceu sem hesitar.

O corredor dos boxes parecia ainda mais estreito à luz do dia. Menos fantasmagórico, talvez, mas não menos opressivo. Havia algo naquele lugar que desafiava o relógio. Como se o ar ali não circulasse. Como se tudo continuasse esperando exatamente do jeito que ela deixara.

Valentina abriu a porta.

Dessa vez, não houve pausa.

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