Entrar Via

Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 29

A sala de reuniões do Grupo Montenegro estava quieta demais.

Rafael não tinha dormido.

Nem um minuto.

O corpo dele estava ali, mas a mente… presa em outra cena:

Valentina ardendo em febre.

Valentina na piscina afundando.

Valentina tremendo enquanto sussurrava “cinco milhões… eu não consigo…”

Valentina segurando sua camisa até apagar.

Cada vez que ele piscava, voltava o som da respiração dela falhando.

O investidor asiático encerrou a apresentação, todos começaram a recolher laptops, mas Rafael sequer ouviu o final.

Ele abriu o tablet.

Clicou no ícone da câmera do quarto de Valentina.

A imagem abriu.

O quarto estava escuro.

Quieto.

Imóvel.

E aquilo não era bom.

Ele ligou imediatamente.

Clara atendeu com a voz dura, ensaiada.

— Senhor?

— Como está a senhora Montenegro?

Uma pausa. Desnecessária.

Ridícula.

— Está no quarto, senhor. Descansando. Deixamos uma canja para ela… e um chá.

Rafael recostou na cadeira, a expressão fechada.

— Ela comeu?

Mais uma pausa. O que irritou ainda mais.

— Não, senhor. Ela… recusou o almoço. Disse que só queria dormir.

Rafael fechou os olhos por um segundo.

Estúpidos.

Inúteis.

Completamente incapazes de entender uma emergência.

Ele desligou na cara.

Pegou o telefone e ligou para o médico da família.

— Doutor, vá agora à minha casa.

— Algum acidente? — o médico perguntou, alerta.

— A senhora Montenegro está gripada, febril, sem comer desde ontem.

Preciso que a examine imediatamente.

— Vou para lá agora.

---

Entre uma reunião e outra, Rafael aguardou a ligação com uma tensão que ninguém na sala ousava comentar.

Ela veio.

O médico respirou fundo antes de falar:

— Ela está exausta. Teve uma queda brusca de temperatura e agora oscila entre febre e calafrio. Nada grave, mas ela precisa descansar. Líquidos, alimentação leve, e remédios para baixar a febre. Dois dias assim e ela se recupera.

Rafael apoiou a mão na mesa, firme.

— Você deixou as instruções com a equipe?

— Deixei, senhor. E vou retornar mais tarde para revisar.

— Faça isso.

Ele desligou e voltou para a reunião como se estivesse carregando algo quente demais dentro do peito.

---

Quando chegou à mansão, já havia anoitecido.

Vittoria estava na sala, inflada de drama, pronta para espetar veneno.

— Finalmente chegou! — ela disse, aproximando-se. — Isabella está no hospital, frágil, vulnerável… e aquela garota lá em cima FAZENDO CENA DE DOENTE!

Rafael continuou caminhando.

— Você ao menos passou no hospital? — ela repetiu. — Minha menina sofreu um trauma real! Enquanto sua esposa… — ela cuspiu a palavra — …recusa até comida!

Ele subiu um degrau.

Vittoria foi atrás.

— Você precisa impor limites! Essa situação é inadmissível! A festa virou uma vergonha nacional, Rafael! Aquela garota destrói tudo onde encosta!

Ele parou no topo da escada e virou apenas metade do rosto.

— Se eu tivesse tempo para dramas — disse, gelado — não teríamos expandido para a Europa.

Vittoria calou na hora.

Rafael não subiu até o quarto dela.

Não naquela noite.

Vittoria estava acordada no andar de baixo — e a última coisa que ele queria era dar munição.

Então ele atravessou o corredor até seu próprio quarto.

Fechou a porta com um clique seco.

Tirou o terno, jogou a gravata sobre a poltrona e entrou direto no banheiro.

A água quente do chuveiro desceu pelos ombros, mas não relaxou nada — era como tentar apagar incêndio com fósforos.

Quando saiu, o cabelo ainda úmido, o pijama aberto no peito largo, ele parecia menos humano e mais uma tempestade contida.

Foi até a varanda.

Acendeu um cigarro.

A primeira tragada queimou na garganta — um gosto familiar de vício e silêncio.

Ele olhou o jardim lá embaixo, depois o céu pesado da noite, depois nada.

Só deixou a mente vagar.

Mas toda vez que tentava se esvaziar, voltava a mesma imagem:

— Deixe na mesa. — ele disse, sem olhar para ela.

Clara obedeceu, mas seu olhar grudou nele como uma mariposa na luz — cada músculo, cada sombra, cada gota de água na clavícula dele.

Quando ela pousou a bandeja, não resistiu em tentar espiar o que ele segurava nas mãos.

Mas ele já tinha abaixado o tablet.

— Não quero mais nada. — Rafael disse, frio, cortante. — Feche a porta quando sair.

Clara quase tropeçou nela mesma antes de sair.

A porta se fechou.

Rafael se levantou devagar.

Sentou à mesa.

Comeu alguns pedaços.

Em silêncio absoluto.

Rafael terminou o jantar como quem cumpre um dever militar.

Cada garfada era automática.

Cada tragada de ar parecia errada.

Ele empurrou a bandeja para longe e ficou sentado por um tempo que não soube medir — minutos, talvez horas. O relógio marcava, mas ele não via. A voz de Vittoria rodopiava na cabeça dele como veneno antigo. A lembrança da piscina voltava como golpe. A sensação das mãos dela na camisa ainda queimava na pele.

Por fim, levantou-se.

Caminhou até a cama.

Deitou.

Apagou a luz.

Fechou os olhos.

E nada aconteceu.

O sono não veio.

A mente não calou.

O corpo não relaxou.

Ele virou para um lado.

Depois para o outro.

Depois encarou o teto como se pudesse ameaçar a própria insônia.

Respirou fundo.

Nada mudou.

A imagem dela dormindo — febril, pequena, tremendo — continuava presa no fundo de seus olhos como se tivesse sido tatuada ali durante a madrugada.

Rafael passou a mão pelo rosto, irritado consigo mesmo, e soltou um longo, pesado suspiro — do tipo que um homem só solta quando percebe que está perdendo uma guerra que jurou não lutar.

Virou na cama pela décima vez.

Fechou os olhos à força.

Mas o último pensamento antes de, finalmente, cair num torpor leve e quebrado não foi sobre Isabella.

Foi sobre a mulher no quarto ao lado…

e o jeito como ela murmurou “não me deixa cair”.

E aquilo — aquilo sim — tirou o sono dele até o amanhecer.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário