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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 289

Mas havia uma rachadura.

E, pela primeira vez em muito tempo, ela não tentou fechá-la na marra.

Aproximou-se da prateleira e puxou a caixa com cuidado. Era mais pesada do que parecia. Colocou-a sobre o móvel baixo coberto pelo lençol, passou a mão pela tampa e deixou uma marca limpa sobre a poeira. Seus dedos tremiam um pouco. Irritante. Humano. Inevitável.

Ela abriu.

Lá dentro não havia apenas documentos.

No topo estavam duas pastas antigas e, sobre elas, um porta-retratos de madeira escura embrulhado em um tecido fino. Valentina prendeu a respiração de novo, agora por puro instinto, e retirou o objeto com uma delicadeza quase absurda.

Desenrolou o pano.

A fotografia a atingiu sem piedade.

Ela devia ter uns oito ou nove anos. Estava entre os pais, sentada no gramado de alguma casa de campo que ela só reconheceu um segundo depois — Petrópolis, num fim de semana chuvoso em que o pai insistira em assar carne mesmo com o céu ameaçando desabar. A mãe ria para a câmera, a cabeça inclinada na direção do marido. O pai a segurava pelo ombro com um orgulho tranquilo no rosto. E Valentina, ainda menina, sorria sem defesa, com os dentes aparecendo, o cabelo preso torto, sem saber que havia fotografias que um dia doeriam mais do que funerais.

Um som curto escapou de sua garganta.

Dessa vez ela não tentou impedir.

Sentou-se na cadeira dobrável quase sem perceber, com o retrato nas mãos e os olhos presos naquela versão perdida de si mesma. O cimento frio, a poeira, a luz fraca — tudo desapareceu por um instante. Havia apenas aquela menina e a ilusão brutal de que o mundo, naquela tarde, ainda era inteiro.

Ela passou o polegar pelo vidro.

— Eu nem lembrava dessa foto... — murmurou.

Lembrava, na verdade. Só não lembrava que lembrava. Era isso que o passado fazia quando vinha sem avisar. Arrombava as portas certas.

Valentina levou a foto para mais perto. O sorriso da mãe continuava o mesmo: sereno, firme, de uma mulher que enxergava mais do que dizia. O pai parecia menos austero do que ela guardava na memória, mais leve, quase jovem. E isso a partiu de um jeito novo, porque a dor da perda tinha congelado os dois numa imagem de tragédia. Ali, naquela fotografia, eles ainda eram pessoas antes de serem mortos. Ainda eram casal antes de serem mistério. Ainda eram pais antes de virarem ferida.

Ela engoliu em seco, deixando que as lágrimas descessem uma a uma, sem pressa, sem soluço, sem testemunha.

Havia uma crueldade específica em chorar sozinha em lugares fechados. Ninguém via. Ninguém interrompia. Ninguém oferecia consolo inútil. A dor podia se alongar até ficar honesta.

E talvez fosse por isso que, naquele instante, Rafael lhe veio à mente com tanta força.

Ela o imaginou dizendo seu nome em voz baixa, aproximando-se sem ruído, pousando uma mão firme em sua nuca, não para controlá-la, mas para sustentá-la. Imaginou o calor do corpo dele, a paciência estranha que surgia apenas quando era com ela, o modo como sabia respeitar seus silêncios mesmo sendo um homem feito de comando e cálculo.

Valentina fechou os olhos por um instante.

Amá-lo tinha sido isso: descobrir abrigo justamente no homem que parecia incapaz de ser casa para alguém.

Mas amar Rafael também era saber que existiam verdades perto demais do nome dele. Verdades que ainda não tinham forma, só contorno. Sombra. Pressentimento.

Ela abriu os olhos e endireitou a coluna.

Não.

Ainda não.

Não pisaria nesse abismo antes de ver tudo.

Com cuidado, colocou o porta-retratos ao lado da caixa e voltou a olhar para dentro dela. Debaixo das pastas havia uma agenda de capa vinho, um envelope lacrado já amarelado pelo tempo, algumas fitas etiquetadas, um relógio masculino guardado em um estojo e uma echarpe azul-marinho tão familiar que fez seus dedos congelarem no ar.

Capítulo 289 — O sangue gelou 1

Capítulo 289 — O sangue gelou 2

Capítulo 289 — O sangue gelou 3

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