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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 281

A sala de reuniões da Montenegro Corp estava mais fria do que o normal naquela manhã.

Não pela temperatura.

Mas pelo clima.

A tela principal ocupava quase toda a parede ao fundo, exibindo gráficos, projeções, relatórios de mercado e notícias financeiras que se acumulavam em tempo real. Linhas vermelhas. Oscilações. Comentários de analistas. Estimativas revistas. O nome da Fênix aparecia vezes demais para o gosto de todos ali.

Os diretores já estavam reunidos quando Moreira entrou primeiro, discreto como sempre, carregando uma pasta fina e um tablet. Não disse nada. Apenas ocupou seu lugar lateral, organizando os documentos sobre a mesa de vidro escuro com a precisão de quem entendia que, naquele ambiente, o silêncio dizia mais do que qualquer explicação.

Do outro lado, os membros do conselho trocavam olhares curtos e calculados.

Ninguém queria ser o primeiro a falar.

E, ao mesmo tempo, todos queriam.

Até que um deles cedeu.

— O mercado abriu nervoso — disse Álvaro Mendes, diretor financeiro, passando os dedos pela gravata como se ela apertasse demais. — Houve contenção no fim do pregão anterior, mas a recompra agressiva da Fênix no setor de tecnologia de segurança gerou instabilidade. Os investidores começaram a rever projeções.

Na tela, o gráfico da Montenegro ainda se mantinha acima dos demais. Sólido. Forte. Mas a diferença que antes parecia confortável agora era pequena o suficiente para incomodar.

— Pequena oscilação não é crise — respondeu outro diretor, tentando manter a voz firme. — Estamos falando da Montenegro. Não de uma startup inflada por especulação.

— O problema — rebateu Álvaro sem olhar para ele — é que já não parece especulação.

Silêncio.

Curto.

Pesado.

Héctor Vasconcellos, diretor de operações internacionais, apoiou os cotovelos na mesa e encarou os números à frente.

— Eles compraram uma tecnologia militar por um valor obsceno e, em menos de doze horas, passaram a ser tratados como ameaça real. Isso não é ruído de mercado. É reposicionamento.

— Reposicionamento acelerado demais — acrescentou outra voz, mais seca. — Ninguém cresce dessa forma sem estrutura ou… sem proteção.

Os olhos se cruzaram.

Era sempre assim.

Ninguém dizia demais.

Mas todos insinuavam.

— O nome deles apareceu do nada — continuou Héctor. — Primeiro com tecnologia aplicada, depois expansão em segurança digital, agora isso. E o mais grave: ninguém sabe quem está por trás.

— Isso já está gerando pergunta demais fora daqui — murmurou uma conselheira do outro lado da mesa. — Bancos. Parceiros. Fundos. Todo mundo quer saber quem está conduzindo a Fênix.

Álvaro passou o tablet para o centro da mesa, girando a tela para os demais.

— Os analistas internacionais já começaram a usar a mesma expressão.

— Qual? — perguntou alguém.

Ele respirou fundo.

— “A sombra por trás da Montenegro.”

Ninguém gostou de ouvir aquilo.

A expressão pareceu se espalhar pela sala como fumaça.

— Ridículo — murmurou um dos diretores mais antigos. — A Montenegro construiu seu nome em décadas. Não vai ser ultrapassada por uma empresa que mal completou um ciclo anual.

— Ninguém falou em ultrapassar — cortou Héctor. — Ainda.

O “ainda” ficou no ar.

Nítido.

Incômodo.

E foi exatamente nesse momento que a porta se abriu.

Rafael entrou. No ritmo exato de quem sabia que não precisava correr para impor presença.

O silêncio veio antes que qualquer um decidisse ficar calado. Ele simplesmente aconteceu. Natural. Automático. Quase humilhante na facilidade com que todos os sons morreram quando ele cruzou a porta.

Terno escuro. Gravata impecável. Olhar frio.

Mais do que frio.

Lúcido.

Rafael caminhou até a cabeceira da mesa sem olhar para ninguém por tempo demais, mas vendo tudo. O peso da tensão. O desconforto escondido nas posturas rígidas. O excesso de documentos sobre a mesa. O medo disfarçado de objetividade.

Pousou uma das mãos na cadeira antes de sentar.

— Mas são um sinal — disse a conselheira à direita.

— São.

Ele virou o rosto para ela.

— E sinais existem para serem lidos. Não para serem temidos.

Outro diretor, Renato Lacerda, que até então se mantivera calado, falou com cautela:

— O problema não é só a compra, Rafael. É o simbolismo. A Fênix se colocou no radar mundial com uma única movimentação. Isso muda a forma como o mercado olha para eles.

— E para nós — completou Álvaro.

Rafael cruzou as mãos diante de si.

— A Montenegro não perdeu posição.

— Ainda não — alguém murmurou baixo demais.

Mas ele ouviu.

Claro que ouviu.

O olhar de Rafael se moveu na direção do homem, sem pressa, e o simples gesto bastou para que ele baixasse os olhos.

— Ainda? — repetiu Rafael, agora em um tom perigosamente calmo. — O que exatamente os senhores acham que esta empresa é?

Ninguém respondeu.

— Uma marca consolidada não é consolidada por acaso. Não chegamos até aqui por entusiasmo de mercado. Chegamos por estrutura. Reputação. Capacidade de sustentação. Uma empresa pode dar um salto. Sustentar esse salto é outra conversa.

Héctor apoiou-se na mesa.

— Então sua posição é esperar?

— Minha posição — disse Rafael — é não me comportar como um amador só porque outra empresa decidiu aparecer fazendo barulho.

Silêncio outra vez.

Dessa vez mais longo.

Mais controlado.

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