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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 26

A água engoliu o mundo.

Fria.

Profunda.

Pesada como pedra amarrada ao tornozelo.

Valentina abriu os olhos — mas tudo era borrado, turvo, distorcido.

O coração batia rápido demais, como se tentasse escapar do corpo.

Os sons chegavam abafados, como se viessem de outro planeta.

Um grito.

Outro.

E outro.

A superfície parecia longe. Longe demais.

O ar acabou.

O pânico veio.

Eu vou morrer aqui.

As mãos dela subiram, tentando nadar — mas o corpo não obedecia, porque o trauma falava mais alto que qualquer instinto.

A lembrança da infância. Um corpo batendo na água. Um clarão.

Isabella sendo puxada.

Isabella subindo.

Isabella.

Não Valentina.

A mão que deveria tê-la alcançado passou longe.

E o mundo de Valentina escureceu um pouco mais.

O corpo dela afundou mais um palmo.

O vestido pesado grudava na pele, puxando para baixo.

Os sapatos escorregavam.

Os pulmões ardiam.

Até que— Braços fortes a envolveu.

Um segurança da mansão a agarrou pela cintura e a puxou para cima, rompendo a superfície com força.

Valentina saiu da água ofegante, tossindo, incapaz de falar, o ar rasgando a garganta.

Do lado oposto da piscina…

Rafael emergiu carregando Isabella.

Ela se agarrava ao pescoço dele como uma vítima de naufrágio.

— Rafael! Meu Deus, obrigada! Obrigada! — ela soluçava, ensopada, teatral, exagerada, perfeita para uma manchete.

Rafael respirava fundo, mas seus olhos estavam escuros — irritação pura, brutal, fervendo por dentro.

Ele colocou Isabella com cuidado na borda da piscina.

Ela se deitou ali, mão no peito, como se tivesse sobrevivido ao fim do mundo.

— Eu tentei me explicar… — Isabella arfava — ela… ela me empurrou… eu queria me desculpar… mas Valentina… ela ficou louca… eu… eu não sei o que fiz para merecer isso…

Valentina olhou, ainda nos braços do segurança.

Molhada.

Tremendo.

Sem conseguir formar uma frase.

Aquelas palavras caíram sobre ela como tijolos.

Vittoria surgiu correndo, histérica, agarrando Isabella pelos ombros.

— Minha querida! Meu Deus! O que essa garota fez com você?!

Valentina tentou falar.

Tentou mesmo.

— Eu… — tossiu — …ela que…

Mas Isabella cortou, gemendo como mártir:

— Eu só tentei conversar… e ela me empurrou… eu escorreguei… achei que fosse morrer…

As mulheres ao redor se aproximaram, horrorizadas, murmurando como aves de rapina.

— Coitada da Isabella…

— Essa Valentina é completamente instável…

Valentina piscou rápido, tentando recuperar o ar.

O segurança a colocou sentada na borda da piscina.

As mãos dela tremiam.

O corpo não obedecia.

Ela mal via direito — só vultos, luzes, sombra, água escorrendo pelos cílios.

E então ouviu o mais cruel:

— Meu filho! — Vittoria, em pânico — eu disse que ela não prestava.

Valentina fechou os olhos.

Ar.

Ar.

Preciso de ar.

— Rafael… — Isabella implorou, agarrando o pulso dele — não a culpe… eu entendo… eu me descontrolei com ela mais cedo… sei que errei e vim me desculpar … mas eu… eu pensei que fosse morrer… — um soluço ensaiado — se você não tivesse pulado… e me salvado.

Rafael finalmente falou. A voz era grave.

— Chega.

Ele olhou para Valentina.

Mas antes que qualquer coisa pudesse ser dita…

Isabella fez o golpe final.

— Eu só tive medo… — ela sussurrou, perfeita, delicada — e ela me empurrou…

As pessoas ao redor murmuraram de novo.

Valentina abriu os olhos.

E pela primeira vez desde o casamento…

Ela sentiu que não tinha forças para lutar ali.

E então…

Isabella desmaiou.

Simples assim.

Teatral.

Conveniente.

Ensaiado com a precisão de quem treinou a vida inteira para ser vista.

— Meu Deus! Ela desmaiou! — Vittoria gritou, como se a própria filha estivesse morrendo em seus braços. — Chamem a ambulância! AGORA!

O segurança tentou dizer algo sobre Valentina, mas Vittoria o ignorou completamente.

— Rafael, pegue ela! — Vittoria ordenou, a voz histérica.

E Rafael…

No chão.

Molhada.

Tremendo.

Sozinha.

Ela tentou se levantar.

O corpo não respondeu.

O peito queimava com cada respiração, como se a água ainda estivesse lá dentro, pesando, afundando, puxando de volta para o fundo da piscina.

A noite soprava vento gelado que grudava no tecido molhado do vestido.

O silêncio, depois de todo aquele barulho, era pior.

Muito pior.

Valentina puxou o ar.

Não entrou.

Tentou de novo.

Entrou pouco.

Muito pouco.

E então, sem aguentar o peso acumulado nos ossos, ela deitou de lado sobre o próprio joelho.

O mármore estava frio como gelo.

Ela puxou as pernas contra o peito.

Ficou pequena.

Ficou frágil.

Ficou do tamanho da menina de sete anos que quase morreu afogada.

A piscina cintilava ao lado, reflexos tremendo como olhos atentos.

E tudo veio de uma vez:

A mão do pai a tirando da água.

O choro dele.

A voz da mãe dizendo “tá tudo bem, meu amor”.

A sensação de segurança que ela nunca mais teve desde que os perdeu.

Valentina fechou os olhos com força.

Mas não adiantou.

As lágrimas vieram de qualquer jeito, desciam silenciosas, misturando-se com a água da piscina que ainda pingava dos cabelos.

O silêncio era tão profundo que parecia que a casa inteira segurava a respiração.

Longe, os sons se afastavam.

E Valentina…

…permaneceu ali.

Respirando como quem luta para não desaparecer.

Uma lágrima caiu no mármore.

Depois outra.

E outra.

Até que ela encostou a testa no chão frio e sussurrou, tão baixo que só a noite ouviu:

— Eu não aguento mais…

A porta de vidro da sala se fechou com um estalo leve ao longe, abafando o último ruído da festa.

Valentina estava sozinha no palácio Montenegro.

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