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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 20

A manhã seguinte nasceu cinza.

Não daquele cinza preguiçoso de garoa paulista.

Mas o cinza corporativo, o cinza de vidro, concreto e poder.

O prédio do Grupo Montenegro parecia mais uma fortaleza futurista do que uma empresa.

Espelhado, imenso, silencioso — cada andar uma sentença.

Cada elevador, um julgamento.

E no último andar…

o dragão esperava.

Rafael estava sentado atrás da mesa de madeira maciça, o terno preto impecável, a gravata ligeiramente afrouxada — não por desleixo, mas porque ele não precisava parecer perfeito para intimidar.

Ele era intimidação.

A tela à sua frente mostrava dados, relatórios, projeções.

Mas ele não estava lendo nada.

O olhar estava vazio, preso no reflexo do vidro da janela — o reflexo de um homem que tinha atravessado uma noite inteira pensando em Valentina, mas nunca admitiria isso nem sob tortura.

Uma batida seca na porta.

Moreira entrou, rígido, tenso, o tipo de tensão que só aparece quando alguém muito perigoso está para cruzar um limite.

— Senhor Montenegro… — ele disse. — Ele chegou.

Rafael não se mexeu.

Nem piscou.

— Mande entrar.

Moreira engoliu seco.

— Senhor… talvez seja melhor o senhor—

— Mande entrar. — repetiu Rafael, mais frio.

E foi aí que a porta abriu.

Lento.

Controlado.

Ensaiado.

Rogério Diniz entrou como quem invade a sala de um rival, não como quem visita o marido da sobrinha.

Terno azul-marinho, gravata vinho amarrotada, cabelo penteado com gel demais.

O sorriso… aquele sorriso de cobra que acha que ninguém percebe os dentes ocultos.

— Rafael Montenegro… — disse, abrindo os braços como se fosse um reencontro simpático. — Sempre um prazer ver o homem do momento.

Rafael não levantou.

Nem sorriu.

Nem ofereceu a mão.

— Sente-se. — disse apenas.

Rogério sorriu mais.

Aquele sorriso de vendedor de carros usados.

Sentou-se na cadeira como se a empresa fosse dele.

— Imagino que esteja ocupado, claro. — começou. — Depois de ontem, a internet inteira só fala em você. “O bilionário implacável”. “O homem que derruba impérios num piscar de olhos”. “O herdeiro dos trilionários”. Impressionante.

Rafael cruzou as mãos sobre a mesa.

— Vá direto ao ponto.

Rogério deu uma risadinha forçada.

— Jovens… tão apressados.

Rafael o encarou como quem olha para um inseto tentando filosofar.

Rogério ajeitou a gravata, inclinou-se na cadeira e adotou aquele tom paternalista que homens covardes usam quando querem parecer importantes.

— Eu pedi essa reunião… porque acho que precisamos conversar sobre Valentina.

O nome dela no ar fez algo mudar nos olhos de Rafael.

Foi rápido.

Uma fagulha.

Quase imperceptível.

Mas Rogério viu.

Ele sorriu como quem descobre uma fraqueza.

— Sobrinha complicada, não é? — disse. — Tão cheia de… personalidade. Sempre tão empenhada em ser moralmente correta, tão… emotiva. Uma pena que não tenha herdado o pragmatismo do pai.

Rafael continuou imóvel.

Mas o ar ao redor dele… ficou mais pesado.

— Continue. — disse.

Rogério abriu a pasta que trazia consigo.

Pousou alguns papéis sobre a mesa.

Sem empurrá-los. Sem oferecer.

Ele apenas colocou ali, como quem j**a iscas a um predador.

— Esses são os relatórios das dívidas da família Diniz. — explicou. — Você sabe como é… a empresa faliu, os advogados desistiram, o caso é feio. Muito feio. A imagem dela está manchada. E isso pode respingar em qualquer um que esteja associado a ela.

Rafael não olhou para os papéis.

— Se quer dinheiro, diga quanto. — falou, direto.

Rogério sorriu mais amplo — e mais sujo.

— Eu sabia que você seria rápido.

Ele se inclinou, cruzou as pernas, ajeitou o relógio brilhante.

— O senhor a deixou sem casa.

— O senhor tomou tudo que ela tinha.

— O senhor a jogou no colo de estranhos.

— E agora vem até mim… fingindo preocupação?

Rogério engoliu em seco.

Rafael colocou ambas as mãos na mesa.

Devagar.

Como quem avisa antes de destruir.

— Valentina é minha esposa.

E vai continuar sendo.

Rogério tentou sorrir.

Falhou.

— Rafael… você não entende a situação. Ela—

— Eu entendo perfeitamente. — cortou Rafael. — Sei o que fez.

Sei o que tomou.

E sei o que quer.

Silêncio.

Rogério não respirou.

Rafael concluiu, gelado:

— E eu não negocio com ratos.

O tio de Valentina ficou estático.

E pela primeira vez…

pareceu pequeno demais para aquela sala.

— Agora saia. — Rafael disse. — Antes que eu comece a cobrar o que deve.

Rogério empalideceu.

E, sem dizer mais nada, levantou-se.

Atravessou a sala.

Abriu a porta.

Saiu.

Rafael respirou fundo — não para se acalmar, mas para controlar o instinto de ir atrás e quebrar mais do que a reputação de Rogério.

Ele olhou pela janela.

São Paulo pulsava como um monstro vivo.

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