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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 178

O salão ainda vibrava, Vittória segurava a taça de champanhe com firmeza excessiva. O sorriso social permanecia intacto, mas os olhos… os olhos não acompanhavam mais.

Ela observava.

Valentina cercada.

Valentina ouvida.

Valentina reconhecida.

Aquilo não era apenas uma noite bem-sucedida. Era uma ruptura simbólica. Um deslocamento de eixo.

— Impressionante, não acha? — disse uma voz feminina, suave demais para ser inocente.

Vittória não precisou virar o rosto para saber quem era.

Helena Montenegro aproximou-se com a tranquilidade de quem não precisava provar nada a ninguém. O vestido claro contrastava com o verde pesado de Vittória. Menos ostentação. Mais herança no sangue.

Uma verdadeira Montenegro.

Helena ergueu a taça e observou Valentina ao longe, como quem aprecia uma obra de arte recém-revelada.

— Sua nora está brilhando hoje. — comentou, com um meio sorriso. — Algo que você… nunca conseguiu, não é, minha cunhada?

O golpe foi cirúrgico.

Vittória sentiu primeiro no estômago. Depois no peito.

Mas não reagiu.

— Cuidado com o que diz, Helena. — respondeu, mantendo o tom doce. — Algumas pessoas confundem brilho com exposição.

Helena riu baixo, um riso contido, educado.

— Ah, Vittória… — disse, inclinando levemente a cabeça. — Se fosse só exposição, os investidores não estariam disputando a atenção dela.

Fez uma pausa breve. Calculada.

— Nem Rafael estaria permitindo isso.

Aquilo doeu mais.

Porque era verdade.

Helena deu um gole no champanhe, tranquila, enquanto Vittória apertava a taça um pouco mais.

— É curioso… — continuou Helena, como quem reflete em voz alta. — Você sempre quis ser o rosto do poder. Mas quem nasce Montenegro… — fez um gesto vago com a mão — …não precisa pedir palco.

E então se afastou.

Sem pressa.

Sem olhar para trás.

Como quem sabe que a semente já foi plantada.

Vittória permaneceu imóvel por alguns segundos.

Respirando.

Sorrindo.

Sangrando por dentro.

Do outro lado do salão, Isabella observava tudo com o mesmo sorriso congelado desde o início da noite.

Mas, ao contrário de Vittória, Isabella não tinha o treino emocional para esconder a fissura.

Os olhos dela estavam úmidos — não de emoção, mas de raiva.

Aquela noite era dela. Sempre fora.

Era ela quem deveria estar ali, ao lado de Rafael.

Era o nome dela que deveria ecoar nos cumprimentos, nos brindes, nos olhares avaliativos.

Mas não.

Valentina Diniz — agora Montenegro — ocupava o espaço como se sempre tivesse pertencido a ele.

Isabella virou a taça de uma vez, ignorando o gosto.

— Ridículo. — murmurou, mais para si do que para alguém.

— Ridículo é não saber jogar quando a mesa muda. — respondeu Helena, surgindo ao lado dela como uma sombra elegante.

Isabella se virou, surpresa.

— Eu não estou jogando. — disse, seca. — Eu fui roubada.

Helena sorriu. Não um sorriso de consolo. Um sorriso de entendimento perigoso.

— Ninguém rouba o que não foi oficialmente entregue, querida. — disse, com calma. — E você sabe disso melhor do que ninguém.

Isabella desviou o olhar, encarando Valentina novamente.

— Era para ser meu. — sussurrou. — Tudo isso. O nome. O poder. O dinheiro.

Helena observou Valentina com interesse genuíno.

— E, no entanto… — respondeu — ela conseguiu sem pedir.

Isabella fechou a mão com força.

— Eu odeio essa mulher.

Helena inclinou-se levemente, aproximando-se do ouvido dela, sem jamais perder o tom elegante.

— Ódio é uma emoção pouco refinada. — disse. — Mas pode ser… útil.

Isabella virou-se para ela, desconfiada.

— O que você quer dizer?

Helena bebeu mais um gole de champanhe, os olhos atentos ao salão.

— Nada. — respondeu, suave demais. — Apenas acho interessante como certas pessoas sobem rápido demais… sem perceber quantas forças estão observando cada passo.

Fez uma pausa curta.

— Quedas costumam ser proporcionais à altura.

Isabella engoliu em seco.

Helena se afastou novamente, deixando para trás apenas o eco da sugestão.

Perto do bar, Vittória observava as duas à distância.

CAPÍTULO 178 — QUANDO AS COBRAS SORRIEM 1

CAPÍTULO 178 — QUANDO AS COBRAS SORRIEM 2

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