Essas palavras despertaram Gerson imediatamente.
Ele deu um soco no vidro.
Marília se encolheu de medo, tentando manter a calma: “Se você não acredita em mim, ligue para ela e diga que eu já morri.”
Gerson não pensou muito, pegou o celular e ligou para Mafalda.
O irritante era que, naquele momento, ele simplesmente não conseguia completar a ligação.
Mafalda já o havia bloqueado...
“Parece que ela tem medo de se envolver com você e ser suspeita.”
“Agora, se você me tirar daqui junto com o motorista, eu posso não te denunciar. No máximo, você será acusado de erro operacional que causou o acidente. Como nada grave nos aconteceu, você não terá responsabilidade criminal.”
O coração de Gerson ficou confuso, sem saber se devia ou não ouvir Marília.
Enquanto isso, Marília já não conseguia se sustentar, e sua voz foi ficando cada vez mais fraca.
De repente, sons de confusão surgiram ao redor, e Gerson viu algo que o fez sair correndo imediatamente.
A visão de Marília também foi ficando cada vez mais turva, e ela teve a impressão de ver uma figura alta se aproximando.
No último instante antes de desmaiar, ela não conseguiu ver claramente quem era o homem.
Apenas sentiu que os ombros dele eram largos e muito acolhedores.
……
No hospital, dentro do quarto.
A silhueta alta e esguia de Inácio estava de pé na varanda, acendendo um cigarro; era possível ver que suas mãos, cujos ossos eram bem definidos, estavam cheias de arranhões.
Quando estava prestes a fumar, olhou para Marília, que estava deitada na cama, e apagou o cigarro.
Ela havia voltado há pouco tempo, mas já estivera no hospital pelo menos cinco vezes.
O toque do telefone soou; ele atendeu e era Samuel quem ligava.
“Patrão, o dono do carro envolvido no acidente foi levado pelos homens do Emílio.”
O olhar de Inácio tornou-se frio: “Entendido.”

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