O canto dos olhos de Inácio captou o desconforto de Marília, mas ele não insistiu mais.
Marília recuou um passo, fugindo do olhar intenso dele.
“Vou me lavar.”
Antes mesmo de dar dois passos, Inácio segurou sua mão, abraçando-a por trás, com a respiração pesada: “Vamos continuar.”
O corpo de Marília ficou tenso por um instante.
Antes que ela pudesse recusar, o beijo de Inácio já pousava em seu rosto e pescoço...
“Eu não quero...”
Marília imediatamente tentou afastá-lo.
Inácio parou, respirando com dificuldade.
Não sabia por que, mas desde a primeira vez com Marília, ele se tornara cada vez mais incapaz de se controlar, e seu desejo só aumentava.
“Por quê?” A voz dele soou rouca.
Antes que ela respondesse, ele perguntou novamente: “Se você não queria, por que voltou para me provocar?”
“O que você realmente quer? Me diga!!”
“Tudo o que eu puder te dar, eu dou!”
Inácio nunca estivera tão perdido como agora. Ele havia mandado investigar o passado de Marília, sabia do trabalho dela no exterior, também sabia que ela morara com Emílio por quatro ou cinco anos.
Mas não fazia ideia do motivo de ela ter voltado de repente, e ainda por cima, para junto dele.
O abraço de Inácio se apertou, fazendo o ombro de Marília doer.
“Me solte.”
Inácio recusou; sentia que, se soltasse, ela desapareceria novamente.
Enquanto os dois permaneciam nesse impasse, o som da campainha no andar de baixo interrompeu tudo.
Inácio trocou de roupa e desceu.
Clarissa já o aguardava lá embaixo e, ao vê-lo, apressou-se em aproximar-se.
“Inácio, hoje, de qualquer jeito, quero que traga aquela criança para me ver.”
Dias atrás, ao saber que Inácio trouxera uma criança para casa, ela mandou investigar. Mas Inácio fora tão cauteloso que, até agora, ela não descobrira nada sobre a criança.
Ao perceber o motivo da visita, Inácio respondeu friamente: “A criança não é minha.”
Um turbilhão passou pela cabeça de Clarissa.


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