Tatiana se sentou ao lado de Lorenzo, justamente quando o garçom empurrava o carrinho de alimentos, colocando os pratos pedidos anteriormente na mesa.
- O pedido do Severino ainda não chegou? Você não vai comer? - Perguntou Tatiana, surpresa, depois que o garçom saiu.
Antes que Severino pudesse explicar, Lorenzo, que já estava cortando o bife dele, respondeu rapidamente:
- Severino fez o pedido depois, deve demorar um pouco mais. Vamos comer.
- Tudo bem, então Severino terá que esperar um pouco mais. - Disse Tatiana, sorrindo para ele, pegando a colher para provar a comida em sua frente, enquanto esperava tranquilamente que Lorenzo cortasse seu bife.
Eles já haviam comido naquele restaurante antes e a comida era boa, embora o serviço fosse um pouco lento. Pedir a comida antecipadamente ajudava, mas qualquer adição no pedido significava uma longa espera.
Severino não se importou, embora seu humor tivesse sido afetado ao ver Lorenzo atarefado em ajudar Tatiana. Afinal, de certa forma, Tatiana e Lorenzo deveriam ser inimigos. E naquele momento, parecia que o Sr. Borges estava cada vez mais imerso no papel de Loh.
Severino tomou um gole de limonada, observando Tatiana com um olhar pesado, e de repente começou a falar:
- Srta. Taís, eu...
Ele foi interrompido pelo homem à sua frente:
- Severino, se você está sem nada para fazer porque a comida ainda não chegou, sugiro que vá mostrar seu talento. Parece que o pianista do restaurante acabou de sair.
Lorenzo, ao terminar de cortar o bife de Tatiana, entregou o prato a ela. Durante todo o tempo, ele não levantou os olhos para olhar Severino. Só depois de terminar e pegar um guardanapo para limpar as mãos, ele lançou um olhar de advertência para Severino.
Severino ficou intimidado por um instante.
Tatiana, por outro lado, parecia confusa:
- Loh, por que você fala assim com o Severino?
Nenhum dos dois homens respondeu.
Um traço de perplexidade passou pelo rosto radiante de Tatiana, que segurava a colher de prata com um ar desatento.
Talvez tentando aliviar a tensão ou realmente intrigada, ela hesitante perguntou:
- Eu ouvi errdo? Parece que Severino me chamou de Srta. Taís. Ele se confundiu? Você queria me dizer alguma coisa, Severino?
Lorenzo franziu a testa, visivelmente irritado:
- Coma.
Embora não tenha dito muito, o tom de sua voz deixava claro seu descontentamento.
Tatiana respondeu rapidamente, colocando a colher de lado e pegando o garfo e a faca. Ao fazer isso, ela levantou os olhos e olhou para Severino, que estava sentado do outro lado da mesa.
Severino, no entanto, não percebeu o olhar dela, pois naquele momento o garçom estava chegando com sua comida. Ele agradeceu educadamente, mas sua mente estava em outro lugar.
Quando voltou a se sentar e olhou ao redor, Tatiana já estava comendo.
Apesar de não ter lembranças dos últimos cinco anos, Tatiana cresceu na família Garrote, onde as boas maneiras à mesa eram uma segunda natureza para ela.
Ela comia em silêncio, com movimentos tão refinados quanto os do elegante homem ao seu lado. Se ela fosse apenas a criada refinada pela família Garrote, em vez da herdeira da família Orsi com um passado tão complicado, até que faria sentido sua presença ao lado de Lorenzo. Ter uma bela e ingênua companhia poderia tornar a fuga um pouco mais agradável.
Mas, na realidade, ela era uma bomba-relógio. Ninguém sabia se a amnésia dela era real ou fingida. Mesmo que fosse genuína, ninguém poderia garantir que ela não recuperaria a memória e, durante a noite, eliminaria todos eles e desapareceria.
Severino entendeu o recado, comprimindo os lábios antes de finalmente começar a comer sua comida lentamente.
Ele estava preocupado e não conseguia realmente apreciar a refeição, apenas se esforçava para encher o estômago e manter suas forças.
Tatiana se sentiu um pouco culpada e até um pouco envergonhada. Afinal, ela havia escolhido aquele restaurante.
Ela achava que a comida ali era boa, com sabores ácidos e picantes que capturavam bem a essência local, mas sem a intensidade das refeições feitas nas pousadas. Os pratos principais eram preparações ocidentais comuns, com um sabor seguro, que dificilmente desagradavam.
Resumindo, era uma refeição satisfatória que permitia experimentar a culinária local.
Mais importante que aquela refeição, ela queria trocar de roupa e se sentir mais fresca.
Mas não esperava que fosse tão difícil para os outros.
Ao ver Lorenzo largar os talheres depois de comer apenas algumas mordidas, Tatiana se sentiu ainda mais responsável pela situação.
Ela não sabia que Lorenzo era extremamente exigente com a comida. Preparações comuns não despertavam seu interesse. Além disso, ele tinha uma resistência incrível; mesmo que não estivesse satisfeito, ele não se forçaria a comer algo que não gostasse.
Se Tatiana tivesse notado, veria que, na casa de campo, ele era bastante seletivo com o que comia. Mas, como Severino sempre terminava as sobras, ela não prestou muita atenção.
Agora, no restaurante, cada um comendo à sua própria maneira, a quantidade de comida deixada à vista era óbvia. Curiosamente, Tatiana, a mais magra, era quem estava comendo mais, aumentando seu sentimento de culpa.
Quando Tatiana estava prestes a sugerir que pedissem algo mais, Lorenzo levantou a mão e chamou o garçom. Depois de pagar a conta, ele falou algo em particular com Severino e pediu a Tatiana que voltasse ao quarto.
- Tudo bem, eu preciso usar o banheiro. - Disse ela, aceitando a situação.
Tatiana se levantou, ajeitou seu vestido e se dirigiu ao elevador, sentindo um misto de constrangimento e preocupação.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após divórcio, ex-marido implora por reconciliação todo dia
Capítulo 535… Diz que o livro está cheio concluído, mas não está...
Por favor, continuem esse livro!...