O grandalhão ficou assustado com aquele olhar, e tremeu enquanto falava.
- Não, não tem problema...
Guilherme murmurou baixinho, relativamente satisfeito com a resposta dele:
- Já que não há problema algum, então vou embora primeiro, ok?
O grandalhão concordou, parecendo ainda não ter se recuperado do susto, e ficou parado, planejando sair. Ao se virar, de repente se lembrou de algo e chamou Guilherme, que estava prestes a fechar a porta:
- Só um lembrete, como vocês decidiram se mudar antes do tempo, o restante do aluguel não será reembolsado!
Guilherme não disse nada.
Vendo isso, o grandalhão se virou e falou com mais firmeza:
- Está bem claro no contrato de locação, o dinheiro não será devolvido!
Aquele pátio era alugado por sua esposa, originalmente ele achava que o aluguel anual de oito mil reais era muito pouco, mas não esperava que o casal ficasse apenas alguns dias.
Guilherme estreitou os olhos e revelou um sorriso frio.
- Contrato de locação?
O grandalhão hesitou por um momento, então elevou a voz e disse:
- Sim! Vamos seguir o que foi acordado no contrato de locação! A casa foi alugada com base em um ano de locação, e uma vez alugada, não pode ser devolvida. Se você quer se mudar antes, isso é problema seu, mas não vou devolver o restante do aluguel.
Guilherme riu.
Ele, na verdade, nunca planejou pagar um ano de aluguel; aquele dinheiro não significava nada para ele.
No entanto, ele de repente se lembrou do que Tatiana havia dito; ele podia ser rico, mas não era um filantropo.
E, além disso, a mulher estúpida estava certa, eles não tinham ficado nem um mês, por que o proprietário deveria ficar com o resto do aluguel?
Ele inclinou a cabeça e zombou:
- Mas se não me falha a memória, nunca assinamos um contrato de locação, certo?
- Embora não tenhamos assinado um contrato, quando recebi seu aluguel, já tínhamos um acordo verbal. Você se esqueceu?
Quando alugaram o lugar, o grandalhão não estava presente; foi a esposa dele quem alugou a casa.
Na verdade, a casa nem mesmo pertencia ao grandalhão; era do seu tio falecido, que não tinha filhos. As filhas todas se casaram e se mudaram para longe. Após a morte do tio, o grandalhão aproveitou a oportunidade para ocupar a casa.
Não havia nada de importante naquela casa; mesmo que todos os pertences fossem levados, ele não se importaria, já que tinha recebido um ano inteiro de aluguel e já estava planejando o que fazer a seguir.
Ele lançou um olhar para Guilherme, notando seu rosto belo e distinto, e disse com arrogância:
- Não me importa como vocês combinaram o aluguel, só sei que não vou devolver o dinheiro. Se você não está satisfeito, pode vir me procurar! Todo mundo neste vilarejo me conhece, é só perguntar por aí que você vai encontrar minha casa. Vou te dizer, esqueça de tentar reaver o aluguel, e se quiser brigar, estou pronto quando você quiser.
Após dizer isso, ele pegou um pedaço de papel rosa, cuspiu nele e o colou na parede. Ele caminhou orgulhosamente até a porta de outra casa no pátio próximo.
Guilherme, parado na porta, observou a figura do homem se afastando e soltou um riso fraco.
Realmente interessante.
Ele havia vivido muito tempo, se envolvido em muitos atos questionáveis, mas era a primeira vez que alguém ousava o desafiar diretamente; era de fato curioso.
E isso o incomodava um pouco.
Eles haviam pagado o aluguel do ano inteiro adiantado, então o proprietário não havia pedido um depósito adicional.
As pessoas daquele pequeno vilarejo geralmente não tinham muita educação e faziam acordos verbais; se pagava o aluguel e estava tudo certo para morar. Um acordo verbal era suficiente.
Afinal, o lugar era pequeno e todos se conheciam, não era tão simples fugir de atos questionáveis.
Mas se um inquilino decidisse não continuar alugando, e o aluguel já tivesse sido pago de uma vez, não havia muito o que fazer além de esperar a boa vontade do outro.
Era um problema complicado.
A voz baixa de Tatiana soou atrás dele:
- Por que eu perderia meu tempo te enganando?
Tatiana resmungou e olhou para ele com desdém.
- Quem sabe.
A troca de farpas entre os dois deixou Severino sem palavras.
Ele tossiu levemente enquanto segurava o riso e fez um gesto convidativo para o interior da casa.
- Senhor e senhora, ainda não terminamos nossa refeição, talvez devam se acalmar um pouco e continuar a discussão depois do jantar, para que a comida não esfrie. Apesar do clima agradável, a temperatura já não é mais a alta do verão, e comida fria não é tão saborosa.
Tatiana, ao ouvir isso, caminhou para o lado da casa onde havia uma mesa de pedra.
- Eu não estava brigando com ele. - Resmungou ela baixinho.
Atrás dela, Guilherme soltou uma risada baixa e se virou para fechar o grande portão do pátio.
Seu olhar estava cheio de diversão, mas se tornou sério ao perceber, pelo canto do olho, o grandalhão com um celular apontado para eles.
Sem pensar, ele deu um passo rápido para fora.
Tatiana e Severino, que estavam dentro de casa, saltaram de susto. Desconsiderando a segurança, eles trocaram olhares e seguiram para fora.
Os pátios do vilarejo eram espaços independentes próximos uns dos outros.
Depois de sair da casa de Guilherme, o grandalhão foi distribuir panfletos na casa em frente, e não estava claro sobre o que ele conversava com os vizinhos, mas ele ainda não tinha ido embora.
Quando Tatiana e Severino saíram, viram o grandalhão, um homem tanto alto quanto robusto, sendo prensado ao chão por Guilherme.
O homem que aplicava a força parecia não ouvir os apelos do outro. Suas botas brilhantes pressionavam o estômago do grandalhão, e em suas mãos havia um celular.
Ao ouvir o barulho e ver Tatiana, seus olhos escuros se aprofundaram.
- Por que você a trouxe para cá? - Perguntou ele olhando para Severino.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após divórcio, ex-marido implora por reconciliação todo dia
Capítulo 535… Diz que o livro está cheio concluído, mas não está...
Por favor, continuem esse livro!...