Ao cair do crepúsculo, Tatiana não sabia onde estava.
Ela se sentia como um tronco flutuante nas águas, rolando e balançando como se estivesse em um navio pirata.
Não sabia quanto tempo havia passado, mas finalmente a sensação de turbulência desapareceu, permitindo que ela respirasse e descansasse, encolhida em um canto onde podia se deitar em paz.
Mas alguém ao seu lado não a deixava se encolher, e ficava a puxando para que se deitasse corretamente.
Logo depois, sentiu que alguém lhe dava água na boca; ela parou de se debater e se mover, seguindo instintivamente às necessidades de seu corpo, até que finalmente caiu em um sono profundo.
Quando sua consciência começou a clarear e ela abriu os olhos novamente, o que viu foi um nascer do sol sangrento tingindo vastas nuvens de vermelho.
Tatiana ficou um pouco hipnotizada.
Ela já havia visto o nascer do sol antes, mas era a primeira vez que o via daquela forma.
Cercada por montanhas, com picos sobrepostos e névoa que ainda não havia se dissipado, ela viu o brilho vermelho do sol se espalhando lentamente, enquanto o canto dos pássaros abria sua mente, dissipando todo o cansaço.
Tatiana não sabia se era por causa da paisagem ou porque tinha descansado bem no dia anterior; apesar das dores no corpo, ela se sentia desobstruída e serena, mesmo estando em um lugar que ela própria desconhecia.
Era uma caverna naturalmente formada, bastante simples, mas pelo menos profunda o suficiente para proteger do vento e da chuva.
Estavam na estação fria, e nas montanhas fazia ainda mais frio. Além dos pássaros, havia poucos insetos, e a entrada da caverna estava coberta com um pouco de palha seca, enquanto no meio havia um monte de cinzas de uma fogueira que já havia se apagado.
Era difícil imaginar que, em um estado de consciência turva, ela havia sobrevivido graças ao sequestrador que a havia capturado.
Ele ainda precisava dela viva para completar seus planos?
Tatiana abaixou o olhar e observou o casaco que vestia.
Apesar de ter sido secado após ter se molhado, ainda estava todo amassado e até os bolsos estavam repletos de folhas e ervas daninhas.
O terno, que valia milhares, estava arruinado, e Tatiana não sabia se deveria considerar que sua vida como refém tinha algum valor, ou se o jovem senhor simplesmente não se importava com os detalhes.
No entanto, Tatiana não tinha disposição para pensar nessas coisas.
Dominada pela fome, só conseguia pensar em como encontrar algo para comer naquela floresta densa e como descer da montanha.
Quanto ao resto, ela preferia não pensar.
Diante da sobrevivência, outras preocupações pareciam menos importantes.
Tatiana se levantou e se mexeu, lançou um olhar para Guilherme, que ainda dormia do outro lado, e parou para pensar. "Se eu simplesmente fosse embora agora, eu poderia escapar das garras desse homem."
Mas e se ainda houvesse capangas dele do lado de fora da caverna? Afinal, ele havia conseguido acender uma fogueira e trazer água para ela, não era impossível que tivesse conseguido contactar seus comparsas.
Depois de ponderar por um momento, Tatiana chamou:
- Sr. Borges, Sr. Borges?
Não houve resposta do homem deitado no chão.
Se não fosse pela respiração dele, Tatiana pensaria que ele estava morto.
O sol já havia subido completamente, evaporando as gotas de chuva do dia anterior e trazendo um calor palpável.
Depois de um tempo Tatiana percebeu algo estranho em Guilherme.
O abrigo na caverna onde estavam não oferecia muita proteção da vegetação, permitindo que o sol brilhasse implacavelmente, uma intensidade excessiva.
Não havia ninguém nas montanhas, estava sozinha, não via nem mesmo um pássaro.
Ela chorava incessantemente, como um bebê recém-nascido no hospital, reconhecendo o mundo pela primeira vez através das lágrimas, enquanto tentava lavar os eventos dos últimos dois dias com elas.
Depois de chorar, ela nunca mais pensaria nisso.
Por chorar tão intensamente, Tatiana se sentiu cansada, ainda mais por causa da fome.
Ela continuou soluçando baixinho, silenciosamente pegou a pequena castanha do chão e comeu.
Aqueles frutos selvagens não eram saborosos, eram pequenos, mas para alguém que não conseguia encontrar comida nas profundezas da montanha, eram como um banquete.
Tatiana estava quase saciada, mas recolheu mais algumas castanhas e encheu seus bolsos até o topo.
Ao redor, além das árvores selvagens de castanhas, havia também pequenos frutos silvestres, ácidos e adstringentes, que mal serviam para matar a sede. Tatiana não colheu muitos, apenas jogou alguns casualmente no bolso.
Então, ela olhou para cima na direção das árvores, planejando encontrar uma nova saída para descer a montanha.
Mas a região era realmente desolada, nada parecida com o caminho da montanha do dia anterior, que estava repleto de altos pinheiros. Ali havia apenas arbustos baixos e densos, e as trepadeiras bloqueavam completamente qualquer visão de um caminho transitável.
Tatiana teve que contar apenas com sua intuição para andar na direção contrária à de Guilherme.
No entanto, quando estava prestes a iniciar sua jornada, uma folhagem molhada tocou o dorso de sua mão, fazendo ela parar repentinamente.
Ela vagamente se lembrava de que, em um momento de consciência turva, alguém trouxera água para umedecer sua garganta.
O vento da montanha soprou, derrubando gotas de orvalho das árvores que ainda não haviam evaporado, formando um espetáculo de respingos diante de seus olhos.
Foi nesse instante que ela, subitamente, ela percebeu algo e se virou para voltar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após divórcio, ex-marido implora por reconciliação todo dia
Capítulo 535… Diz que o livro está cheio concluído, mas não está...
Por favor, continuem esse livro!...