Eduardo também deu um passo para trás no momento em que Rita se aproximou.
- Se está doente, vá ao hospital, não enlouqueça aqui. Eu não tenho uma prima com o sobrenome Soares, pare de tentar forçar intimidade. Paloma, por favor, acompanhe a saída dela! - Disse Eduardo, com desprezo.
Sem vontade de discutir, Eduardo puxou Tatiana e saiu, sem deixar qualquer espaço para Rita.
Rita, furiosa, pisoteou o chão, pensando em seguir ele, mas foi interrompida por Paloma.
- Sra. Soares, por favor, não me coloque em uma situação difícil. - Disse Paloma.
Paloma sempre teve dificuldade em lidar com Rita, que insistiu em aparecer especialmente no dia do retorno da jovem senhora da casa, mesmo não sendo bem-vinda. Como Paloma era uma estranha na família, ela evitava fazer comentários.
Mas o que Rita fez dessa vez foi longe demais.
Ela estava ocupada cuidando da cozinha e não pôde vigiar o jovem senhor, e em um piscar de olhos, Rita conseguiu o inimaginável. Paloma não sabia o que fazer.
Rita lançou um olhar fulminante para ela.
Afinal, Paloma era apenas uma serva, que direito tinha de confrontar ela?
Paloma ficou sem palavras diante do olhar feroz. Ela estava preocupada com as possíveis reações da senhora da casa ao encontrar o jovem senhor, não querendo nem ver Rita.
Mesmo sendo encarada, Paloma não cedeu e continuou indicando a saída com um gesto, apontando para a porta principal.
Rita, sem opção, teve que sair desanimada.
Enquanto isso, Eduardo e Tatiana se dirigiram à cozinha.
A mansão era grande, com a cozinha e a sala de jantar construídas separadamente no jardim, a uma certa distância da casa principal.
- Edu, é aqui a cozinha, né? Dá pra se esconder? - Perguntou Tatiana.
Tatiana tentou imaginar Eduardo se escondendo ali quando era criança, evitando os adultos e roubando comida para não passar fome, mostrando sua astúcia.
- No que está pensando? - Indagou Eduardo.
Eduardo, vendo seu sorriso bobo, sabia que ela não estava pensando em nada bom e a puxou pela gola da camisa até a cozinha.
- O que você está fazendo, Edu? - Reclamou Tatiana.
Tatiana, sendo puxada à força, estava prestes a se libertar do "grilhão" de Eduardo quando ele soltou sua mão, a deixando apenas olhar para ele com ressentimento.
Eduardo se mostrou tranquilo.
- Vai, mostre suas habilidades culinárias, que seja saboroso, quanto mais saboroso, melhor! - Disse Eduardo.
Tatiana ergueu uma sobrancelha, e rapidamente adivinhou o que Eduardo estava pensando.
Mas ela tinha suas dúvidas.
- Isso vai funcionar? - Questionou Tatiana.
Para as crianças de hoje não falta comida, e são muito exigentes em relação ao sabor. Além disso, ela não tinha experiência em cozinhar para crianças, e o sabor poderia não ser do agrado delas.
Eduardo parecia ler seus pensamentos.
- Confie em mim, isso vai dar certo. Desde que cheire bem, o sabor não importa, não estamos cozinhando para aqueles pequenos tiranos. - Incentivou Eduardo.
- Tá bom então. - Disse Carolina
Tatiana não perguntou mais nada, pegou um avental e foi lavar as mãos.
Para atrair pessoas escondidas com o aroma da comida, o sabor tinha que ser irresistível.
Não havia ninguém na cozinha naquele momento, apenas uma panela de vapor em funcionamento, e os outros pratos estavam preparados, provavelmente esperando as pessoas chegarem para serem servidos, caso contrário, teriam esfriado.
A família Orsi era rigorosa com as regras, inclusive a hora das refeições, que era sempre pontual. À tarde, era a hora das frutas, não se via lanches por perto, e as crianças eram tratadas da mesma forma.
Nesse momento, atraídos pelo aroma delicioso que emanava da cozinha, sentiam a fome crescer em seus estômagos, e seus pensamentos estavam mais focados no sabor picante do que na busca.
Até a Sra. Giovanna, que geralmente tinha pouco apetite, hesitou por um instante, sentindo um vazio no estômago.
Vale lembrar que, desde que adoeceu, ela perdeu o apetite. Consumida pela preocupação, raramente se sentia inclinada a comer, somente quando a fome se tornava insuportável, o que explicava sua magreza.
Mas o aroma que envolvia a casa era espetacular.
Giovanna franziu a testa, pensando que Paloma deveria estar ajudando na busca.
“Por que estaria na cozinha? Será que já tinham encontrado a criança?”
Sem celular, ela não tinha escolha a não ser voltar pelo jardim e caminhar rapidamente em direção à cozinha.
Nesse momento, Tatiana já havia terminado de preparar o segundo prato. O aroma fresco dos camarões e o doce ácido do molho de tomate se misturavam, e após ser retirado do fogo, o prato foi decorado com uma pitada de cebolinha, o tornando visualmente festivo.
Depois de arrumar o prato, a chef não resistiu e secretamente beliscou um camarão do prato, se preparando para o descascar, quando uma voz abafada e infantil soou debaixo da mesa.
- Você está comendo escondido? - Ecoou a voz.
Tatiana parou por um momento, virou a cabeça e espiou para baixo, encontrando um par de grandes olhos pretos e brilhantes.
A criança saiu de debaixo da mesa, olhando para ela com uma expressão teimosa.
- Você até usa as mãos, que falta de higiene! - Disse a criança.
Tatiana, olhando para a criança que só chegava à sua cintura, falando com um tom de repreensão, por um momento se esqueceu do camarão que estava comendo às escondidas e não conseguiu evitar um sorriso.
- É normal chefs comerem às escondidas, quanto usam as mãos. Quer provar? - Perguntou Tatiana.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após divórcio, ex-marido implora por reconciliação todo dia
Capítulo 535… Diz que o livro está cheio concluído, mas não está...
Por favor, continuem esse livro!...