À primeira vista, Leandro quase achou que estava vendo coisas.
Acreditando que ainda estava meio dormindo, esfregou os olhos rapidamente. Mas, ao olhar novamente para trás, à sua esquerda, e ver aquela pessoa de semblante tranquilo aguardando nos bancos, ele finalmente percebeu que havia algo muito errado.
Oceana Amaral aparecer em qualquer ala do hospital seria fácil de explicar. O único lugar onde ela não deveria estar era na obstetrícia.
Quase por instinto, sacou o celular e ligou para Fabiano Nunes.
Quando o telefone tocou, Fabiano Nunes estava na sua habitual reunião matinal de quarta-feira, ouvindo os gerentes de departamento apresentarem o relatório da semana.
Na primeira chamada, ele viu que era Leandro.
Sem sequer hesitar, Fabiano Nunes apertou o botão de rejeitar.
No entanto, menos de três segundos depois, a pessoa do outro lado da linha ligou de novo em ritmo frenético. Fabiano Nunes tentou repetir o gesto para desligar novamente, quando uma notificação de WhatsApp saltou na tela.
【Leandro: A tua mulher está esperando na ala de obstetrícia pra fazer um aborto. Não me diga que você não sabia que a Oceana Amaral estava grávida!!!】
BAM!
O gerente de planejamento, que estava no meio da apresentação, foi repentinamente interrompido pelo som estridente de uma cadeira raspando no chão. Ele olhou, atônito, para o chefe, que havia se levantado abruptamente e marchava a passos largos em direção à porta, com um ar de desespero.
— Senhor Nunes...
— Se houver algo importante, falamos depois.
Sem um pingo de hesitação, o homem empurrou a porta e saiu apressado.
Nas vias rápidas da cidade, onde havia limite de velocidade, Fabiano Nunes cravou o pé no acelerador, batendo quase os 120 km/h.
A caminho do hospital, sentia seu coração acelerar na mesma proporção que o carro. Nunca na vida havia experimentado uma sensação como aquela. Fabiano Nunes sentiu um arrepio na espinha. No instante em que soube que a própria Oceana Amaral estava na porta de uma clínica de aborto, seu coração pareceu parar de bater.
Dizendo isso, Leandro apontou para o consultório médico não muito longe dali: — Ela entrou para fazer uns exames e eu estou aqui esperando. E você?
Oceana Amaral ficou em silêncio. Ela sentiu que, por estar na porta de uma sala de procedimentos daquele tipo, a resposta já era bem óbvia, mas após uma breve hesitação, ela abriu os lábios finos e soltou secamente uma única palavra: — Aborto.
— ...Ãh...
Talvez por não esperar que Oceana Amaral fosse tão direta, sem nem tentar disfarçar, um lampejo de constrangimento cruzou o rosto de Leandro, que logo se recuperou e perguntou num tom casual: — O Fabiano sabe disso?
A expressão de Oceana Amaral já estava vazia. O choque de ver Leandro havia passado e seu rosto voltou à habitual serenidade.
— Ahn... Falar, ele falou sim. Só não fiquei sabendo dessa gravidez...
Leandro coçou o nariz, xingando mentalmente Fabiano Nunes umas trezentas vezes.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!