Francisco Barros não insistiu no assunto. Apenas assentiu levemente e mudou o foco:
— Você ainda não pretende contar a ele sobre a sua doença, não é?
Até aquele dia, Francisco Barros imaginava que, embora Fabiano Nunes pudesse não ter detalhes sobre a condição de Oceana Amaral, ele não estaria em completa ignorância. Mas, pelo que vira hoje, o homem realmente não fazia a menor ideia.
Oceana Amaral balançou a cabeça:
— Não tenho essa intenção. Não contei antes do divórcio, e muito menos contaria agora.
Dizendo isso, ergueu o rosto, olhou para Francisco Barros e sorriu, num tom de autodepreciação:
— De qualquer forma, se eu viver ou morrer daqui para a frente, não é mais da conta dele.
Francisco Barros, é claro, ficava aliviado em ver que ela estava disposta a cortar todos os laços com aquele homem, mas, ao ouvi-la falar de forma tão desanimadora, repreendeu-a com uma ponta de insatisfação:
— Não diga bobagens, você não vai morrer.
Enquanto ele estivesse ali, jamais permitiria que o pior acontecesse com ela. Mesmo que tivesse que esgotar todos os seus recursos, nunca desistiria.
*
Úrsula Almeida pegou sua sacola de feira, agarrou o celular e saiu de casa para fazer compras.
No começo, tudo correu bem. Ela saiu do condomínio, atravessou a rua, virou à direita e seguiu reto por trezentos metros até chegar ao mercado.
Ao avistar o mercado, tirou uma foto animada e enviou para a filha.
Quando Oceana Amaral viu a mensagem da mãe, ainda estava na sessão de quimioterapia. Ao notar que ela havia conseguido encontrar o mercado sozinha, não pôde deixar de avisar:
— Preste atenção no caminho, mãe. Se esquecer como voltar, não se esqueça de me ligar.
Após enviar a última mensagem e receber um áudio da mãe dizendo "Tá bom, tá bom", Oceana Amaral desligou a tela do celular e fechou os olhos.
Não sabia quanto tempo havia se passado quando foi despertada pelo toque do telefone. Acreditando ser sua mãe, atendeu sem sequer olhar para a tela.
— Eu não te disse para me ligar quando terminasse?
Não e não. Absolutamente nada. Então por que raios ele estava ligando?!
— Então sobre o que exatamente precisamos conversar civilizadamente? — rebateu Oceana Amaral. — Eu já estou cumprindo a minha parte do acordo, mas, quando não houver necessidade, faça o favor de não me ligar.
Dito isso, sem dar tempo para o homem responder, ela desligou a chamada na cara dele.
Que homem canalha. Falso e canalha.
Há quanto tempo estavam divorciados? Ele já tinha uma nova companhia ao seu lado, já conseguira tudo o que queria. E ainda assim esperava manter contato com ela por qualquer futilidade?
Oceana Amaral soltou uma risada fria. Começava a perceber que a traição devia estar na própria natureza de Fabiano Nunes.
Ele não havia se tornado tão podre de repente. Era muito provável que sempre tivesse sido assim, e ela só demorou até dois anos atrás para descobrir.
Ao lembrar dos onze anos em que o amou profundamente, Oceana Amaral agora só sentia que tudo tinha sido uma grande piada. Que péssimo gosto ela tivera no passado, a ponto de quase destruir sua própria vida por um homem como aquele.
Simplesmente não valia a pena.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!