Na primeira noite em sua nova casa, Oceana Amaral sentiu uma mistura de alegria e tristeza.
Metade de sua alegria vinha do fato de ter escapado daquele lugar que a aprisionara por sete anos. Mudar-se parecia representar a liberdade de um renascimento.
A outra metade, a tristeza, provinha da criança em seu ventre. Para se despedir definitivamente do passado, cortar os laços e também por questões de saúde, ela precisava interromper a gravidez.
Apesar de ter se preparado psicologicamente inúmeras vezes ao longo daquele período, à medida que o dia fatídico se aproximava, Oceana Amaral não conseguiu evitar afundar-se na melancolia.
Após uma noite maldormida, Oceana Amaral levantou-se cedo para se arrumar. Preparou todos os itens de higiene necessários para o pós-aborto e contratou pela internet uma cuidadora para ajudá-la na recuperação. Tirando o preço um pouco salgado, ela parecia ter ótimas referências.
Com tudo em mãos, Oceana Amaral pegou um carro de aplicativo e seguiu para o hospital.
Enquanto aguardava do lado de fora da sala de procedimentos, seu coração batia descompassado. Estava extremamente nervosa.
Havia várias mulheres jovens na fila de espera, mas, assim como no pré-natal, a maioria estava acompanhada por familiares, amigos ou parceiros. Somente Oceana Amaral estava lá, completamente sozinha.
O celular tocou. Era a nova cuidadora.
Oceana Amaral atendeu, informou o andar, sua localização exata e a cor da roupa que vestia.
Em menos de dez minutos, uma garota com traços joviais, cabelos presos em um rabo de cavalo e carregando uma sacola de ráfia grande, parou diante de Oceana Amaral.
— Olá, você é...
Oceana Amaral encarou a jovem à sua frente, precisando de alguns segundos para processar a situação.
— Olá! Eu sou a Paola, a nova cuidadora que acabou de falar com a senhora no telefone!
...
Leandro andava com um problema nas mãos ultimamente. Uma universitária inocente com quem começara a sair há pouco tempo mandou-lhe uma mensagem naquela manhã, avisando que ele seria pai.
Ele havia ficado na balada até as quatro da manhã na noite anterior. O susto ao ver a mensagem, às oito da manhã, espantou todo o seu sono em um piscar de olhos.
Como diz o ditado: quem anda na chuva é para se molhar. Por mais que os métodos contraceptivos fossem bons, sempre havia o risco de falhas.
Leandro levou a jovem até a ala de obstetrícia do Hospital SK. Ela entrou com o médico para fazer os exames e ele ficou do lado de fora, entediado.
Caminhou até o canto do corredor, próximo à escada. Assim que sacou o cigarro e o isqueiro do bolso, de relance, Leandro avistou um rosto inconfundível.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!