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Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou! romance Capítulo 285

Oceana Amaral acompanhou Francisco Barros para dentro do consultório.

Fabiano Nunes manteve o olhar fixo na porta até que as silhuetas dos dois desaparecessem completamente. Só então ele desviou os olhos e virou-se para caminhar na direção oposta.

De cabeça baixa, o Assistante Matos deu passos apressados para acompanhá-lo.

— Senhor Nunes, o quarto do Velho Senhor Miranda é o 1507. Ele foi transferido da UTI para a enfermaria comum na noite passada.

Foi só naquela manhã, após receber uma ligação do setor de cobrança do hospital, que o Assistante Matos descobriu que Helder Miranda havia sofrido uma piora súbita há uma semana e fora internado na unidade de terapia intensiva.

Ele repassou a informação ao seu chefe no mesmo segundo em que a recebeu.

Desde a manhã em que deixou a Morada das Vinhas, Fátima Miranda já estava há quase uma semana sem aparecer por lá.

Durante todos esses dias, Fabiano Nunes também não tomou a iniciativa de procurá-la. A relação dos dois pareceu entrar em um estado de paralisação silenciosa, algo tacitamente aceito por ambos, sem que uma única palavra precisasse ser dita.

No que dizia respeito a Fátima Miranda, Fabiano Nunes nutria, de fato, sentimentos genuínos por ela. Especialmente no período logo após o divórcio com Oceana Amaral e a perda do bebê.

Ao longo dos dois anos de discussões constantes com Oceana Amaral, ele havia esquecido como era o calor de um lar. A presença de Fátima Miranda veio preencher essa exata lacuna.

Ela era obediente, sensata, dócil e nunca o irritava. Era alguém que ele podia chamar ou dispensar a qualquer momento.

Ela surgia sempre que ele precisava, mas, quando ele queria espaço, ela sabia aguardar silenciosamente em seu canto, esperando por ele.

Era justamente essa sensação de ter o controle absoluto da situação que o fez se encantar por Fátima Miranda. Mas, de alguma forma inexplicável, a mulher antes tão submissa e compreensiva começou a mudar. Tornou-se obstinada, passou a exigir coisas e até a demonstrar impaciência e fazer birra.

Assim que ouviu o relato do Assistante Matos, Fabiano Nunes não hesitou e discou imediatamente o número de Fátima Miranda.

Porém, o balde cheio até a borda estava pesado demais. Ela caminhou com passos curtos e o tronco curvado, lutando com o peso, sem sequer notar a figura em pé no meio do quarto.

Foi só quando sua visão periférica capturou a presença de um par familiar de sapatos de couro de crocodilo sobre os azulejos do chão.

O corpo de Fátima Miranda paralisou. O balde, que já estava pesado em suas mãos, despencou abruptamente.

Um baque surdo ecoou pelo quarto. O balde transbordou, espalhando instantaneamente um mar de água fervente que formou uma espessa nuvem de vapor branco sobre o chão.

A água escaldante encharcou os tênis de lona baratos que Fátima Miranda calçava. O calor a fez encolher os pés por reflexo, mas ela não esboçou nenhuma outra reação.

Continuou imóvel, congelada na mesma postura encurvada de antes. Seus olhos apenas acompanharam a poça de água que se espalhava rapidamente, molhando as pontas dos sapatos imaculados de Fabiano Nunes antes de serpentear até alcançar os pés de metal da cama hospitalar.

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