— Ei, todo mundo aqui está na fila! Por que eles podem passar na frente?
Como era de se esperar, os pacientes e familiares que aguardavam pacificamente ficaram indignados com a atitude.
Uma enfermeira do laboratório tentou manter a ordem, gritando:
— Silêncio, silêncio! Por favor, acalmem-se. Vamos atender um por um, está bem?
— Um por um?! Nós estamos esperando um por um, e eles?!
Um jovem foi o primeiro a perder a paciência. Ele se levantou e esbravejou contra a enfermeira.
O barulho foi aumentando, e Oceana Amaral, que estava sentada num canto, ergueu os olhos. Sua vez já demoraria, mas, com aquele furo de fila, ela foi empurrada ainda mais para o final.
— Senhor, por favor, não levante a voz e mantenha o silêncio!
A enfermeira não deixou por menos. Vendo a irritação do homem, rebateu de forma ríspida e com um tom glacial.
A postura arrogante da enfermeira gerou ainda mais revolta ao redor.
O jovem, afinal, estava coberto de razão. Todos estavam na fila organizadamente; além de serem desrespeitados por alguém furando a fila e não receberem nenhuma explicação ou pedido de desculpas, ainda levavam bronca da enfermeira.
Vários acompanhantes se levantaram também. Vendo que a situação começava a sair do controle, Fátima Miranda sentiu-se apreensiva e murmurou:
— Tudo bem, doutor. Acho melhor a gente esperar a nossa vez.
Graças a Fabiano Nunes, o diretor do hospital havia conversado pessoalmente com o responsável pelo laboratório, pedindo que ele desse uma atenção especial ao paciente do quarto 1507.
Sendo uma ordem direta do diretor, ele não ousaria negligenciar. Embora não soubesse ao certo quem Fátima Miranda era, presumiu que alguém capaz de fazer o diretor emitir tal ordem devia ter muito dinheiro ou muita influência.
Durante décadas, Helder Miranda havia sido apenas um simples funcionário da logística de uma grande empresa, insignificante e ignorado por todos. Jamais desfrutara de privilégios ou de pessoas bajulando-o. Agora, ele irradiava tanta confiança e contentamento que nem parecia um paciente lutando contra o câncer.
Já que tanto o pai quanto o Doutor Lima insistiam, Fátima Miranda não achou certo recusar. Ela sorriu e estava prestes a aceitar e empurrar o pai para dentro, quando, de repente...
— O que está acontecendo aqui? Por que toda essa confusão?
Uma voz fria e cortante interrompeu a conversa.
Ao ver quem era, o Doutor Lima correu em sua direção com um sorriso obsequioso e uma expressão exagerada de surpresa:
— Ora, ora, Doutor Barros! O que o traz por aqui?
Francisco Barros havia passado pelo laboratório e ouvido o tumulto incomum. Ao lembrar que Oceana Amaral ainda deveria estar aguardando seus exames, acabou entrando por instinto.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!