Ver a filha trabalhando ainda deixava Helder Miranda com pena. Ele achava que, como Jaqueline fora contratada por Fabiano Nunes especificamente para cuidar dele, era mais do que justo que ela fizesse o serviço.
— Pai!
Fátima Miranda lançou um olhar de reprovação ao pai e murmurou suavemente:
— Ela passou a noite inteira cuidando do senhor, deve estar cansada. Já que eu cheguei, me deixe cuidar do senhor.
Seu humor estava ótimo; a melancolia e a irritação dos dias anteriores haviam desaparecido. Ela falava com o pai com muito mais paciência e carinho.
Helder Miranda sorriu, olhou para a filha e apenas perguntou:
— O Senhor Nunes não ficou bravo com você por causa daquela minha última ligação, ficou?
Ao ouvir isso, a mão de Fátima Miranda, que limpava o braço do pai, parou por um instante. Lembrar-se do que acontecera na noite anterior a fez sorrir e balançar a cabeça:
— Não, ele não ficaria chateado por uma coisa dessas.
— Que bom!
— Ai...
Helder Miranda suspirou.
— Passei esses dias todos com o coração na mão, com medo de que aquela ligação tivesse aborrecido o Senhor Nunes, e que, por tabela, ele ficasse irritado com você.
— Como ele ficaria?
Fátima Miranda deu um sorriso leve.
— Ele não vai ficar bravo comigo.
Antes, Fátima Miranda certamente não teria tanta confiança para dizer isso, mas agora...
— Não recuse. Sua saúde é a prioridade. Se eu não estiver esperando do lado de fora do centro cirúrgico, não ficarei tranquilo.
Francisco Barros foi extremamente direto, sem demonstrar a menor intenção de esconder o que sentia.
No entanto, o tom de voz dele era tão natural que parecia apenas o de um médico conversando com sua paciente, sem qualquer segundas intenções. Por isso, Oceana Amaral não conseguiu encontrar mais nenhuma desculpa para recusar e, sem alternativa, acabou concordando.
— Daqui a pouco, a Rosana vai levá-la ao laboratório para o último exame pré-operatório. Assim que terminar, você poderá ir para casa descansar.
Francisco Barros organizou os laudos e os entregou de volta a Oceana Amaral.
Como havia outros pacientes esperando lá fora, Oceana Amaral não prolongou o assunto. Apenas agradeceu baixinho e se levantou para sair do consultório.
Havia uma longa fila de espera no laboratório. Oceana Amaral encontrou um assento vazio e sentou-se, esperando ser chamada.
Pouco tempo depois, no outro extremo do corredor, duas pessoas apareceram empurrando um homem de meia-idade numa cadeira de rodas. Todos estavam na fila, mas, assim que eles chegaram, o responsável pelo laboratório imediatamente pediu que os demais aguardassem e tratou de passá-los na frente para o exame.

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