Era verdade. Ali não era mais sua casa.
Ele tinha dado a propriedade para Daniela, e agora a casa era dela.
Juliana também aconselhou:
— Senhor, não aja mais como antes. Agora esta é a casa da Senhora Daniela, e o Senhor é uma visita.
Francisco virou-se, voltou para o lado da avó e murmurou:
— Vó, foi força do hábito. De agora em diante, vou me lembrar o tempo todo de que, aqui, sou um convidado.
Não mais o dono.
A velha senhora respondeu:
— Sempre que vier aqui no futuro, se a Daniela mandar você sentar, você senta. Se ela mandar ir embora, você vai. Lembre-se do seu lugar, você é só um convidado!
— Vó, eu entendi.
A velha senhora virou-se para Juliana:
— Juliana, quando eu não estiver por perto e esse moleque vier para cá, dê um aviso discreto a ele. Tenho medo de que ele acabe voltando aos velhos hábitos, pois quem tem um hábito ruim não muda fácil.
Juliana respondeu com reverência:
— Velha senhora, eu farei isso.
Na verdade, ela já estava ajudando bastante o Senhor.
Desde que percebera o quanto ele se importava com a Senhora, sua própria atitude em relação a ela tornara-se imediatamente respeitosa. Ela havia tomado o lado da Senhora e deixado de favorecer a Senhorita Cíntia.
Em particular, ela também aconselhara o Senhor inúmeras vezes.
Mas que pena, o antigo Senhor era duro como uma pedra e jamais escutava.
Pois bem, só depois de perder a Senhora é que ele finalmente caiu em si.
Juliana conduziu a avó e o neto para dentro de casa.
Após pedir que se sentassem e lhes servir água morna, Juliana disse:
— Velha senhora, Senhor, fiquem à vontade. Vou preparar o café da manhã. A Senhora disse que, caso ainda não tivessem comido, deveriam ficar para a refeição.
— Esse neto ingrato me usou como escudo logo cedo, onde é que eu teria tempo de comer? Juliana, por favor, prepare uma porção para nós dois.
Juliana foi para a cozinha.
Francisco sentou-se no sofá, mas a todo instante se levantava para caminhar. A velha senhora repreendeu-o:
— Está muito inquieto? Não consegue ficar parado?
— Sente-se! Olhe para você, perdeu até a compostura?
— E o que eu poderia dizer? Você pediu desculpas e ela nem sequer respondeu. Nem eu me atreveria a falar a seu favor agora.
— E se a Daniela nunca mais quiser olhar na minha cara?
A velha senhora ponderou:
— De qualquer forma, vê se não aborrece a Daniela por um tempo.
— Eu não a aborreço, eu estou tentando conquistá-la.
— Até para conquistar alguém é preciso dar espaço para respirar. Você está pegando muito no pé dela.
Francisco ficou calado.
Daniela rapidamente trocou de roupa e desceu. Em seguida, foi para a cozinha e começou a preparar o café da manhã. Juliana avisou que já tinha deixado tudo pronto, ao que Daniela respondeu:
— Prometi ao Victor que hoje faria o café da manhã para ele.
Mal ela terminou de falar, a campainha tocou lá fora.
— Juliana, vá abrir o portão para o Victor, deve ser ele.
Juliana murmurou uma confirmação.
Ao sair, ela lançou um breve olhar para Francisco, que estava no sofá. Suspirando internamente, caminhou apressada para fora da casa principal a fim de atender Victor.

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