Daniela saiu para sua corrida matinal, como de costume.
Assim que ela saiu da casa principal, Juliana correu até ela e a chamou:
— Senhorita Nunes, a velha senhora e o Senhor estão no portão da vila. Eles tocaram a campainha, devo deixá-los entrar?
— Tão cedo?
Daniela respondeu:
— Vá abrir o portão para eles, convide-os para entrar e sentar. Eu vou dar uma volta correndo e já volto.
Na noite passada, Victor havia pedido ajuda à Vóvó Pinto, o que a salvou de uma situação embaraçosa. Caso contrário, quem sabe até que horas Francisco teria insistido antes de ir embora.
No entanto, Vóvó Pinto era a própria avó de Francisco.
O coração da idosa, afinal, ainda pendia para o próprio neto.
E lá estava ela, sendo arrastada logo de manhãzinha pelo neto para servir de passe de entrada.
Ele sabia que Daniela respeitava a vovó; se ela estivesse ali, Daniela nunca a deixaria esperando em pé no portão.
Juliana disse:
— Certo. Sendo tão cedo, a velha senhora e o Senhor provavelmente ainda não tomaram café da manhã. Senhorita Nunes, devo preparar o café para eles?
Como ainda era cedo, ela sequer havia preparado o café da manhã para Daniela.
Com um traço de resignação no olhar, Daniela respondeu:
— Prepare, sim. Já que a Vóvó Pinto veio, temos que convidá-la para tomar café.
Dito isso, Daniela saiu para correr, enquanto Juliana foi abrir o portão para a velha senhora e o Senhor.
Avó e neto já esperavam no portão da vila há um bom tempo.
Francisco estava ansioso:
— Vó, será que a Daniela vai deixar a gente entrar?
— Ela me vê como um monstro agora. Se eu não tivesse a cara de pau de insistir feito um canalha, mesmo sendo vizinhos, talvez não a visse nem uma vez no ano.
Todos viviam ocupados com o trabalho, saindo cedo e voltando tarde. Se não fosse intencional, era bem possível passar o ano inteiro sem se encontrarem.
A velha senhora virou a cabeça para encará-lo e comentou, irônica:
— Pelo menos você sabe que é um cara de pau e age como um canalha.
O rosto bonito de Francisco ruborizou.
— Para reconquistar a esposa, é preciso ter cara de pau e deixar a vergonha de lado.
Francisco sabia muito bem que, se não acompanhasse a avó, não teria a menor chance de pisar na casa de Daniela naquele dia.
Daniela faria a cortesia pela avó, não por ele.
Avó e neto entraram na propriedade.
Francisco imediatamente caminhou em direção ao quintal dos fundos.
Ele havia comprado aquela vila e supervisionado pessoalmente toda a decoração. Tendo vivido ali por quase dez anos, conhecia cada detalhe intimamente.
— Francisco!
A vovó o chamou com o rosto sério.
— Aonde você vai?
— Vó, vou procurar a Daniela no quintal. Ela sempre corre por lá de manhã.
O rosto da velha senhora escureceu:
— Agora esta é a casa da Daniela. Você é uma visita. Tem o descaramento de sair andando pela casa dos outros sem permissão?
— Aqui não é mais a sua casa, você não pode simplesmente ir aonde bem entender.
Francisco congelou.

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