— Você, do alto da sua arrogância, achava que, por ter dado a ela o status de Senhora Pinto e uma mesada de trezentos mil, já a estava tratando bem. Achava que ela estava no lucro, agindo sempre com essa atitude de quem faz caridade.
— Além de machucar a Daniela, ainda exigia que ela fosse eternamente grata, que te servisse como a um imperador, que colocasse você em primeiro lugar em tudo e obedecesse cegamente a cada palavra sua.
— Diga-me, você já a respeitou alguma vez? Você só trouxe dor para a vida dela! Deixou a sua própria esposa de lado, sem amor ou carinho, para bajular a mulher dos outros. E agora? Está satisfeito?
— A mulher dos outros continua sendo dos outros, mas a sua esposa está prestes a se tornar a mulher de outro homem. Você não acha que mereceu isso? Agora você se arrepende? Agora fica desesperado e morde de ciúmes?
— Francisco, você é o meu próprio neto, é por isso que estou falando assim com você. Se eu fosse avó da Daniela, já teria pegado a vassoura e te expulsado daqui a pauladas.
O rosto de Francisco ficou pálido.
As palavras da avó eram como uma faca que machucava-o profundamente.
Mas o que ela dizia era a mais pura verdade.
De que adiantava seu desespero agora?
Fora ele quem havia empurrado Daniela para Victor com as próprias mãos. Fora ele quem havia desistido de Daniela, dando a Victor a oportunidade perfeita.
— Ah, Francisco.
A velha senhora suspirou.
— Nem todos os erros podem ser corrigidos como se nunca tivessem acontecido. Nem toda dor ou dívida pode ser compensada.
— Uma vez que a ferida é feita, ela não desaparece; precisa de tempo para curar. E quanto à pessoa que você machucou... se ela vai ser capaz de perdoá-lo ou não, só o tempo dirá.
— Apenas deixe a Daniela ter um pouco de paz.
Francisco perguntou, constrangido:
— Vó, eu tenho mesmo que ficar de braços cruzados assistindo o Victor ir atrás dela sem poder fazer nada?
— Eu estou apenas a cortejando de forma normal, não a forcei a nada. Não estou sendo respeitoso o suficiente com ela?
— Tudo o que faço agora, eu penso nela primeiro, levo em consideração o lado dela.
Ela respondeu:
— Foi o Victor quem me ligou. Eu estava na casa do Gustavo. Quando recebi a ligação do Victor, vim correndo. Ele disse que estava preocupado que você fizesse algo para machucar a Daniela.
— Você tentou forçar algo com a Daniela?
Francisco enxugou uma lágrima no canto do olho e admitiu:
— Eu... eu apenas a beijei à força, não forcei nada além disso.
— Eu tenho os meus limites. Sei o que posso e o que não posso fazer.
— Naquela época ela ainda era minha esposa. Não posso beijar a minha própria mulher? No início ela resistiu, mas depois parou de lutar.
A avó o repreendeu:
— Ela não parou de resistir! Ela simplesmente não tinha a sua força física, percebeu que não conseguiria lutar e aceitou como se tivesse sido atacada por um cachorro!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor! Me Deixa Explicar!