Pegando o guarda-chuva, Daniela o entregou a Victor.
— Você também está cansado. Vá logo para casa e descanse. Vamos dormir cedo esta noite.
Daniela acompanhou Victor até a porta de casa.
Victor, relutante em ir embora, virou a cabeça e perguntou:
— Daniela, posso te convidar para tomar café da manhã amanhã?
Daniela respondeu:
— Todos os dias, quando desço, a Juliana já preparou o café da manhã.
— Diga à Juliana que não precisa preparar nada amanhã. Eu te levo para comer. Se você não tiver tempo, eu levo até a sua empresa.
Daniela pensou um pouco e disse:
— Que tal você vir aqui e eu te ofereço o café? É uma forma de agradecer por você ter ligado para a Vóvó Pinto vir me ajudar a sair daquela situação.
Era tudo o que Victor mais queria.
— Então virei bem cedo amanhã. Se eu chegar cedo, eu mesmo preparo o café para você. Assim você pode provar a minha comida.
— A intenção era eu te convidar, e agora você vai cozinhar. Que vergonha.
— Que nada. Só o fato de você me dar essa honra e não achar a minha comida ruim já é ótimo.
Daniela sorriu:
— Eu não sou nada exigente com comida.
Fosse ruim ou deliciosa, ela comia, a não ser que fosse excepcionalmente ruim; só aí não se forçaria.
Seus próprios dotes culinários também não eram ruins. Na vida passada, ela cozinhou inúmeras vezes para Francisco, mas nunca recebeu um único elogio dele.
Após renascer, raramente voltara a cozinhar. Era quase impossível para Francisco provar uma refeição feita por suas próprias mãos agora.
Francisco exclamou, ansioso:
— Vó, a senhora não vê que o Victor fica rondando a Daniela o dia todo? Se eu não correr atrás agora, ela vai acabar sendo conquistada por ele!
— Se o Victor conseguir conquistá-la, isso vai provar que ela se apaixonou por ele, que voltou a acreditar no amor. Também vai provar que o Victor é mais adequado para ela do que você. Restará a você apenas desejar felicidades.
A velha senhora continuou:
— E quem foi que deu essa chance ao Victor? Foi você mesmo! Você empurrou a sua própria esposa para os braços do seu melhor amigo!
— Agora você está com ciúmes, amargurado, desesperado... Mas onde você estava antes? O que a sua avó te disse na primeira vez em que você foi atrás da Daniela? Você me deu ouvidos?
— Eu te disse que, já que você ia se casar com a Daniela, deveria tratá-la bem, parar de pensar na Cíntia. Falei para cuidar da sua própria mulher, porque a Cíntia era mulher dos outros.
— Mas e você? Casou-se de dia e, na noite de núpcias, abriu o jogo com a Daniela. Você sequer pensou nela? Imagina o desespero, a raiva e a dor que ela sentiu naquele momento.
— Você nunca levou os sentimentos dela em consideração, nunca teve pena dela. Você se aproveitou do fato de ela não ter a quem recorrer, de ser apenas a enteada do seu Tio Vieira, sabendo que a Família Vieira não a ajudaria. Você a humilhou sem o menor escrúpulo.

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