— É, ele virou meu vizinho. E daí? — Daniela concordou com um murmúrio.
Intimamente, ela se perguntava: será que Wilson havia descoberto sobre Francisco e Cíntia?
Ele estaria ali apenas para sondar o terreno?
— O amor de Francisco por você é realmente inabalável — provocou Wilson, num tom carregado de sarcasmo.
A frase de Wilson transbordava sarcasmo.
Daniela ficou calada. Não via necessidade de discutir os detalhes íntimos da sua relação com Francisco com um sujeito como Wilson.
Ela tinha plena consciência de que Wilson e a esposa haviam celebrado o seu divórcio. No entanto, a generosa compensação financeira que Francisco lhe pagara fora um golpe amargo para o casal, que odiava vê-la prosperar.
Francisco havia deixado a imensa mansão onde ela morava para ela, o que fizera Cíntia enlouquecer de inveja.
Vendo que Daniela não responderia, Wilson fez uma pausa e mudou bruscamente de assunto:
— Na noite passada... quer dizer, lá pelas duas ou três da manhã de hoje, você ouviu algum barulho estranho?
— Que tipo de barulho? No meio da madrugada, com todo mundo dormindo, o que eu poderia ter ouvido?
Ela devolveu a pergunta.
Wilson hesitou novamente antes de continuar:
— A entrada da sua casa fica muito perto da entrada da casa de Francisco?
— Não muito. A entrada dele fica bem mais próxima do outro vizinho.
— Mas por que tantas perguntas, Wilson? Aconteceu alguma coisa na noite passada?
— Eu não ouvi nada de mais, embora tenha rolado um certo barulho de madrugada. Parecia um casal brigando. A mulher estava chorando, mas não consegui entender do que ela reclamava.
— Morando sozinha, não tive coragem de sair para ver. Tentei espiar da varanda, mas não dava para reconhecer ninguém. Se não fosse pelo silêncio profundo da madrugada, fazendo a briga ecoar tanto, eu jamais teria escutado.


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