Provavelmente, no mundo inteiro, não havia ninguém que odiasse mais vê-la ter sucesso do que Wilson e sua esposa.
Quando Wilson entrou, Daniela já estava sentada à sua mesa. A jovem secretária mal havia anunciado a presença dele e, antes mesmo que ela pudesse responder, ele invadiu a sala por conta própria.
— Zenaide, traga um copo de água morna para o Senhor Vieira.
Sem mover um músculo da cadeira, ela encarregou a secretária de servi-lo.
— Eu chego e você fica aí, parada?
Com a expressão carregada, Wilson a recriminou pela falta de hospitalidade.
— E o que você queria que eu fizesse? Que o recebesse com tapete vermelho? Você apareceu sem ser convidado. Eu não mandei os seguranças barrá-lo nem expulsá-lo, e ainda arrumei um tempo na agenda para vê-lo. Do que mais você pode reclamar?
— Daniela, sua ingrata! Faz tão pouco tempo que você saiu da Família Vieira e já está com essa arrogância toda, tratando os outros como lixo. Pode ter certeza, a justiça tarda, mas não falha. Com tanta presunção, os céus logo cuidarão de colocá-la no seu devido lugar.
Daniela levantou-se, inclinou-se sobre a mesa e pegou o copo de água morna que Zenaide trouxera para Wilson. Despejou o conteúdo na sua própria garrafa e atirou o copo descartável direto no lixo.
— Já que você me acusa de ser uma péssima anfitriã, então não vai beber nem da minha água. Farei questão de provar que você tem razão.
O rosto de Wilson escureceu de raiva.
— A justiça realmente não falha. Vamos ver quem os céus vão punir primeiro por ser tão arrogante — retrucou Daniela.
Em todo caso, não seria ela.
Ela era a queridinha dos céus.
Se não fosse, por que os céus teriam lhe concedido uma segunda vida?
Portanto, amparada pelas forças celestes, ela estava a salvo de qualquer castigo.
Além do mais, não havia arrogância alguma da parte dela. O verdadeiro arrogante ali era Wilson.
— Sua ingrata maldita...

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