Ela não conseguia entender qual feitiço Inês havia lançado sobre Lucas e Francisco para que ambos gostassem tanto dela.
O olhar de Francisco tornou-se gélido, e demorou um pouco até que ele respondesse:
— Avó, esse é um assunto meu. Não precisa se preocupar com isso.
Após dizer isso, Francisco desligou o telefone na cara dela.
Nos dias seguintes, Francisco passou no hotel todos os dias para levar Inês ao hospital a fim de visitar Lucas.
No entanto, mais de uma semana se passou e Lucas ainda não demonstrava nenhum sinal de despertar.
Ao descobrir que Francisco estava levando Inês para ver Lucas, Ursula fez questão de interceptá-los na porta do quarto do hospital.
— Francisco, será que você se esqueceu de que, se não fosse por Inês, Lucas não estaria ali deitado em coma? Como ousa trazer a verdadeira culpada pela situação de Lucas todos os dias aqui?!
A expressão de Francisco permaneceu inalterada:
— Isso não parece ser da sua conta. Você e meu tio são apenas amigos comuns. Com que autoridade você vem me questionar?
— Estou pensando no que é melhor para o seu tio. Afinal, ela está vindo há mais de uma semana e Lucas não acordou. Talvez ele simplesmente não queira vê-la.
Ao ouvir isso, Francisco não pôde evitar uma risada, mas havia um profundo desdém em seus olhos:
— Se o meu tio não quer vê-la, quer ver quem? Você não vai dizer que é a você, vai? Se bem me lembro, meu tio já rompeu relações com você faz tempo, não é? Inês é a namorada do meu tio; é perfeitamente legítimo que ela venha visitá-lo. Já você, uma amiga comum com quem ele se desentendeu, que direito tem de fazer escândalo aqui?
Como se temesse que Ursula não tivesse escutado direito, Francisco deu uma ênfase especial em "amiga comum".
O rosto de Ursula contorceu-se de desagrado:
— Se eu contar à sua avó que você está trazendo a Inês para o quarto secretamente, ela não o perdoará tão cedo!
A impaciência reluziu nos olhos de Francisco:
Inês estava sentada à beira da cama, segurando a mão de Lucas como de costume, conversando com ele.
A luz do sol entrava pela janela e recaía sobre Inês e Lucas, envolvendo-os em um brilho dourado.
Depois de murmurar suavemente por mais de meia hora, Inês percebeu que era hora de partir.
Ela apertou a mão de Lucas com força, olhando para ele com profunda relutância:
— Lucas, quanto tempo mais você vai levar para acordar? Sinto tanto a sua falta...
No exato instante em que ela pronunciou essas palavras, os dedos de Lucas moveram-se sutilmente duas vezes.
Os olhos de Inês ficaram instantaneamente vermelhos, marejados de lágrimas, e ela olhou para Francisco, exclamando:
— Francisco, eu senti os dedos do Lucas se moverem agora mesmo!

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