Francisco correu para o lado da cama, exibindo um vislumbre de empolgação.
— É verdade?
Inês assentiu:
— Sim. Eu senti claramente a mão dele se mexer agora pouco. Não foi minha imaginação.
— Pelo visto, precisamos que você continue vindo falar com o tio todos os dias. Talvez ele acorde muito em breve.
— Sim.
A emoção fez com que os olhos de Inês ficassem marejados.
Durante todo esse tempo conversando com Lucas, ele não dera nenhum sinal de vida. Cada dia havia sido uma tortura para ela, que ansiava desesperadamente por visitá-lo no hospital, mas, ao mesmo tempo, temia fazê-lo.
Porque toda vez ela chegava cheia de esperança e saía devastada pela desilusão.
Agora, a esperança voltava a arder em seu coração.
Ele certamente acordaria!
Dona Leite logo foi informada sobre a reação na mão de Lucas.
Por fora, ela não expressou emoção, mas interiormente suspirou aliviada. Qualquer sinal era melhor do que nenhum.
— Entendido. Mas reitero o que disse: se ela não o fizer acordar dentro de um mês, eu não permitirei que veja Lucas nunca mais.
Francisco franziu o cenho, e sua voz soou fria:
— Avó, os fatos sobre o acidente de carro já foram esclarecidos e provam que Inês não teve nada a ver com isso. Por que a senhora tem tanto preconceito contra ela?
— Porque ela não pertence à mesma classe social de Lucas, mas deseja casar-se e entrar para a Família Leite. É por isso que eu a detesto.
— Avó, a senhora está se iludindo. Se dependesse dela, ela provavelmente não quereria ser sua nora nem fazer parte da Família Leite. O único motivo pelo qual ela tolera lidar com a senhora e com a Família Leite é porque ela ama o meu tio, e por acaso o sobrenome do meu tio é Leite.
Após essas palavras, a respiração de Dona Leite ficou visivelmente pesada.
Demorou um longo tempo até que Dona Leite respondesse:
— Não vou discutir com você por causa disso. Eu só quero resultados.
Ao dizer isso, ela desligou o telefone sem mais delongas.
Desde que Lucas sofrera o acidente de carro, César não havia ido visitá-lo nenhuma vez. Aproveitou o momento em que a atenção dela estava voltada para o irmão ferido para secretamente formalizar o divórcio com Débora e, em seguida, casar-se no civil com Regina. Quando Dona Leite descobriu, eles já estavam casados há três ou quatro dias.
Sendo assim, Dona Leite sentia agora uma mistura profunda de decepção e desgosto em relação a César.
Como se não notasse a irritação da mãe, César sorriu e disse:
— Mãe, estou quase totalmente recuperado. Olhe só, Lucas ainda está em coma no hospital. O cargo de diretor-geral na empresa não pode continuar vago para sempre. Quero voltar a trabalhar.
— Não!
Dona Leite recusou categoricamente, sem sequer pensar.
— Por que não?! — César a fitou com incredulidade. Ele cerrou os dentes e continuou. — Mãe, antes eu até aceitava que a senhora favorecesse Lucas, mas agora ele está em coma! Vai me dizer que a senhora vai esperar ele acordar para gerenciar o Grupo Leite?!
Seu rosto demonstrava indignação e uma leve hostilidade. Ele agarrava os braços da cadeira de rodas com tanta força que parecia estar se contendo.
Mesmo com Lucas em coma, Dona Leite ainda o favorecia!
Quanto mais pensava naquilo, mais profundo se tornava o ressentimento de César por Dona Leite.
— Mesmo que ele não consiga acordar para administrar o Grupo Leite, a vez de assumir nunca será sua.

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