O mordomo abaixou a cabeça:
— Senhora, fui eu.
Dona Leite olhou-o friamente:
— Por que tomou essa decisão por conta própria?
— Senhora, a Srta. Inês também estava ferida e a chuva estava muito forte lá fora. Se algo acontecesse com a Srta. Inês em nosso portão, a Família Leite perderia a razão, mesmo que estivesse certa.
Evidentemente, ele também não suportava ver Inês sendo castigada pela tempestade.
O rosto de Dona Leite escureceu:
— Se agir por conta própria novamente, vá ser mordomo na Família Alves.
O mordomo manteve a cabeça baixa:
— Sim, eu admito o meu erro.
— Basta. Pode se retirar.
Pouco depois de o mordomo sair, o celular de Dona Leite tocou.
— Senhora, o Sr. Francisco parece ter a intenção de levar Inês ao hospital. Devemos impedi-los?
Dona Leite ficou em silêncio por um instante. Quando falou, sua voz não tinha qualquer traço de emoção:
— Deixem-nos.
— Entendido.
Ao desligar o telefone, os olhos de Dona Leite revelavam um cálculo sombrio. Se Inês não fosse capaz de fazer Lucas acordar, ela jamais permitiria que se vissem novamente!
Uma hora depois.
Guiada por Francisco, Inês entrou no quarto de hospital de Lucas.
Ao vê-lo deitado na cama, cercado por tubos e fios, com apenas um movimento fraco da respiração no peito, as lágrimas de Inês caíram imediatamente.
Francisco a ajudou a sentar-se na cadeira ao lado da cama:
— O médico disse que, devido ao impacto no cérebro durante o acidente, as chances de meu tio acordar são mínimas...
Antes de chegar à Cidade do Mar, Inês já imaginava que o estado de Lucas seria crítico, mas não esperava que fosse tão grave. Ou talvez simplesmente não tivesse coragem de pensar naquilo...
— Eu compreendo... Gostaria de ficar a sós com ele um pouco, posso?
Francisco olhou para o relógio e falou em voz baixa:
— Obrigada... Muito obrigada...
Depois de deixar Inês no hotel, Francisco seguiu seu caminho.
O carro mal havia entrado na avenida principal quando recebeu uma ligação de Dona Leite.
— Você levou Inês para ver Lucas?
Francisco soltou um riso seco:
— Avó, a senhora não já sabe disso? Por que me pergunta o que já sabe?
Houve dois segundos de silêncio no outro lado da linha.
— Pode levá-la para ver o seu tio, mas, se dentro de um mês ele não acordar, não permitirei que ela o veja nunca mais!
Francisco ergueu as sobrancelhas:
— Avó, a senhora deveria dizer isso ao meu tio no quarto do hospital. Talvez a indignação fizesse com que ele acordasse de uma vez.
Dona Leite engasgou de raiva e vociferou:
— Não pense que não sei dos seus sentimentos pela Inês no passado. Escute bem: eu não vou permitir que seu tio fique com ela, e muito menos que você fique com ela. É melhor esquecer essas ideias o mais rápido possível!

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