Por outro lado, na mansão da Família Leite.
Dona Leite mal havia retornado quando foi informada de que César havia sido sequestrado.
Seu semblante escureceu: — Vão investigar o que diabos aconteceu! Quero só ver quem teve o atrevimento de sequestrar o César!
Era melhor que esse assunto não tivesse qualquer relação com Inês, caso contrário, ela não pouparia a Família Leite.
O mordomo estava prestes a se retirar quando ela o interrompeu: — Entre em contato com Lucas e diga-lhe para voltar imediatamente.
— Sim, senhora.
Em menos de uma hora, Lucas estava de volta à residência da Família Leite.
Ao vê-lo, Dona Leite ainda fervia de raiva por dentro, mas sabia que não era o momento para ressentimentos.
— Presumo que já esteja ciente do sequestro de seu irmão mais velho, não é?
A expressão de Lucas permaneceu impávida: — Sim. A senhora me chamou de volta apenas por causa disso?
— E pelo que mais seria?! Lucas, ele é seu irmão mais velho! Como pode reagir com tamanha frieza?! Além disso, Inês já decidiu não processar seu irmão. Você tem ideia das enormes vantagens que ela obteve de mim usando o fato de seu irmão ter contratado alguém para sequestrá-la?!
Lucas escutou sem demonstrar nenhuma emoção em seu rosto, aguardando que Dona Leite terminasse de falar para, então, erguer os olhos em direção a ela.
— César quase a matou. Não importaria o tamanho da compensação, eu jamais acharia que foi um exagero.
— Você!
Dona Leite apontou-lhe o dedo trêmulo, sentindo que desfaleceria de tanta indignação.
Como pudera dar à luz a um filho que apenas favorecia os estranhos e virava as costas para a própria família?!
Respirando fundo para sufocar a ira que ardia em seu peito, ela fixou um olhar fulminante em Lucas: — Se este sequestro de seu irmão tiver alguma relação com Inês, o que você pretende fazer?
Ao ouvir isso, Lucas esboçou um leve sorriso: — Essa pergunta não faz o menor sentido. Além do mais, se ela tivesse os meios para sequestrar meu irmão na Cidade do Mar, não teria sido forçada pela senhora a desistir de processá-lo, não é verdade?
A feição de Dona Leite mudou levemente antes de soltar uma risada seca e áspera: — Sozinha, de fato, ela não possui tal capacidade, mas apenas sob a premissa de que você não a ajudou.
Pior ainda, uma mulher cuja ascendência e posição social não o mereciam, uma mulher pela qual ela nutria profundo desprezo!
Lucas fitou-a com serenidade: — Não faço isso apenas por ela, mas também por mim mesmo.
Para que no futuro não fosse coagido por ninguém a realizar atos que o desagradassem, e para ter a capacidade de proteger as pessoas que almejava proteger.
— E no final das contas, tudo recai sobre ela, não é?!
Lucas tampouco se deu ao trabalho de contestá-la: — Se a senhora insiste em interpretar dessa forma, de fato não deixa de ser verdade.
Afinal de contas, foi ao presenciar Inês ferir-se por sua causa, sem que ele próprio tivesse o poder de mantê-la segura, que despertara nele a convicção de retornar e assumir a herança do Grupo Leite.
— Você é...! Simplesmente...!
Antes que pudesse terminar a frase, Dona Leite, tomada pela fúria incontrolável, desabou inconsciente.
Ao recobrar os sentidos, deparou-se com o mordomo ao pé do leito do hospital, observando-a com uma expressão profundamente apreensiva.

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