Os olhos de Bianca marejaram instantaneamente. Ela bem sabia que obter o perdão de Inês seria uma tarefa quase impossível, mas não desejava desistir com tanta facilidade.
Ela já havia perdido uma filha e não podia se dar ao luxo de perder a única que lhe restava.
— Encontrar uma maneira de restaurar nosso relacionamento é melhor do que não fazer nada. De qualquer forma, o resultado não pode ser pior. — Disse ela.
Afonso achava Bianca ingênua, mas não se deu ao trabalho de tentar dissuadi-la novamente, tinha assuntos muito mais importantes para tratar.
— Faça como quiser.
Assim que os dois retornaram a casa, o celular de Afonso tocou.
Após atender, não se sabe o que foi dito do outro lado da linha, mas a expressão de Afonso mudou imediatamente.
— É sério isso?
Ao receber uma resposta afirmativa, Afonso disse com a voz fria: — Certo, já entendi.
Notando que havia algo errado com a expressão dele, Bianca apressou-se em perguntar: — O que aconteceu? Houve algum problema na empresa?
Afonso balançou a cabeça: — Não é a empresa, é César... Ele foi sequestrado!
Bianca ficou atônita por um instante e, logo em seguida, seu semblante também se alterou.
— Não me diga que foi obra de Inês?
Afinal, César havia mandado sequestrar Inês recentemente, e ela acabara de declarar que não planejava mais processá-lo. Agora, César era quem havia sido sequestrado. Poderia haver tamanha coincidência?
Afonso permaneceu em silêncio e ligou imediatamente para Inês.
— Ele foi sequestrado?
Ao perceber a surpresa no tom de voz de Inês, Afonso cerrou os dentes: — Inês, você tem algo a ver com isso? Se tiver, diga-me agora, para que possamos encontrar uma forma de lidar com a situação!
Inês achou aquilo hilário. Que história era essa de "encontrar uma forma de lidar com a situação"? Se ela realmente fosse a responsável, Afonso provavelmente a trairia sem hesitar em prol do Grupo Alves, entregando-a à Família Leite.
— Isso não tem nada a ver comigo, eu não sabia de nada. Estou muito ocupada agora e não tenho tempo para suas bobagens. Até logo.
Dito isso, Inês desligou o telefone sem mais delongas.
César estava amarrado a uma cadeira, com os olhos vendados. Diante dele havia apenas uma imensa escuridão, mas ele conseguia perceber que havia alguém parado a não muita distância.
— Quem é você?! Por que me sequestrou?! — Seu tom de voz soava relativamente calmo, mas um leve tremor em suas palavras traía o pânico em seu íntimo.
A pessoa à sua frente não respondeu.
O coração de César disparou involuntariamente. Ele respirou fundo e continuou: — Já que teve a audácia de me sequestrar, deve saber muito bem quem eu sou. Quanto a pessoa que mandou me capturar lhe pagou? Eu lhe dou o dobro, o triplo... Não, eu lhe pago dez vezes mais! Basta que me solte!
Assim que ele terminou de falar, a figura à sua frente finalmente emitiu um som.
Um riso frio fez César paralisar, pois ele reconheceu quem era o seu sequestrador.
Seu coração afundou, como se o corpo inteiro tivesse despencado em uma câmara de gelo.
Do outro lado, ouviu-se o som de uma cadeira sendo arrastada, seguido por passos que se aproximavam gradativamente, marcados por um ritmo irregular, como se a pessoa mancasse.
O rosto de César empalideceu em um instante. Com os lábios trêmulos, ele balbuciou: — Severino, tenha calma... Eu... Ah!

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