A chuva caía incessantemente.
Como se tentasse afogar o mundo inteiro.-
No interior do carro, apenas os conselhos do Dr. Rocha quebravam o silêncio:
— Desde o casamento, o controle financeiro ficou inteiramente nas mãos do Victor, não é? Sugiro que você comece investigando e mapeando todos os bens dele.
Sophia inclinou a cabeça, confusa.
O advogado continuou:
— Me lembrei daquele CEO da empresa de tecnologia que declarou um salário simbólico de um real só para blindar o patrimônio. Mas acredito que o Victor não faria isso, ele não chegaria ao ponto de conspirar contra você desde o dia em que se casaram.
Sophia assentiu silenciosamente:
— Vou investigar isso. Por enquanto, pode me deixar no banco, por favor?
Sophia voltou do banco direto para casa.
Assim que passou pela porta.
Deparou-se com Bruna segurando um cachorro de rua nos braços.
Victor, com uma toalha nas mãos, secava os pelos sujos e emaranhados do animal.
Envolvendo o filhote, havia um cachecol marrom-escuro.
Aquele mesmo cachecol que, no ano anterior.
Sophia levara um mês inteiro tricotando à mão para dar a Victor como presente de fim de ano.
Os dois conversavam e davam risadas.
Apenas quando Bruna notou sua presença, puxou de leve a barra da camisa de Victor, encolhendo-se atrás dele e sussurrando:
— A Sophia chegou.
Victor largou a toalha e sinalizou, sorrindo:
— Você voltou!
Sophia se aproximou em silêncio.
Seus olhos se cravaram no cãozinho nos braços de Bruna, e um sorriso irônico surgiu em seus lábios:
— Esse bicho sabe bem em quem se encostar para conseguir o que quer.
O rosto de Bruna corou.
Ela lançou a Victor um olhar de quem havia sido injustiçada.
Ele rapidamente moveu as mãos para se explicar:
— Eu o encontrei na rua. Com esse frio terrível, se ninguém fizesse nada, ele acabaria morrendo congelado na tempestade. Sophia, você sempre gostou tanto de animais.
Sophia esboçou um meio sorriso amargo:
— As pessoas mudam. Venha até aqui, preciso falar com você.
Dizendo isso.
Ela caminhou direto para a sala de estar.
Bruna fez beicinho, usando um tom manhoso com Victor:
— A Sophia ainda não me perdoou, ela ainda me culpa. Acho melhor eu levar o cachorro para um hotel. Não quero ser o motivo das brigas de vocês, e muito menos causar problemas para você.
Victor afagou carinhosamente a nuca de Bruna:
— Eu resolvo isso.
Em seguida, ele a deixou e foi para a sala.
Sophia levantou os olhos para ele:



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