Como num passe de mágica, ele tirou uma pulseira do bolso.
Sob a luz fraca, os diamantes brilhavam intensamente.
Aquele era o presente de dois anos de casamento.
O presente número seiscentos e sessenta e seis que Victor dava a Sophia.
Ele mesmo colocou a joia no pulso dela, gesticulando em seguida:
— Ficou perfeita. Você está linda.
O olhar dele era doce.
Os olhos dela se encheram de lágrimas.
Ela sempre acreditou que fossem seiscentas e sessenta e seis provas repetidas de amor.
Mal sabia ela que.
Na verdade, eram frutos da culpa e da compensação por seiscentas e sessenta e seis traições ininterruptas.
Sophia puxou a mão de volta.
Ela sorriu sem emitir som:
— Você se lembra que dia é daqui a três dias?
Victor, pacientemente, sinalizou com as mãos:
— O dia em que a empresa vai abrir o capital na bolsa, o valor de mercado vai dobrar. E também é o nosso aniversário de dois anos de casamento. Sophia, eu vou te dar um presente muito especial nesse dia.
Sophia assentiu:
— Eu também preparei um grande presente para você.
Um presente.
Que lhe daria a liberdade.
Um presente para que ele não precisasse mais se esgueirar às escondidas para ir para a cama com Bruna.
Victor deu tapinhas suaves nas costas da mão dela e sinalizou:
— Vá dormir cedo. Amanhã é o aniversário de morte do Sr. Barro, nós vamos ao cemitério prestar nossas homenagens.
No dia seguinte.
O dia amanheceu sob uma chuva torrencial e gélida.
A caminho do cemitério.
O celular de Victor tocou.
Quando Sophia estava com ele, ela nunca usava o aparelho auditivo.
Por isso, Victor não se importava em se esconder.
Ele atendeu diretamente:
— O que houve?
A voz de Bruna oscilava, cheia de pânico:
— Victor, aquele vizinho bêbado está batendo na minha porta de novo! Eu estou com muito medo. Você pode vir aqui?
Victor franziu a testa levemente:
— Vou pedir para o Sérgio Ferro ir até aí resolver isso.
O tom de Bruna carregou uma decepção quase imperceptível.
Ela concordou, com uma voz submissa:
— Tudo bem, Victor.
A ligação foi encerrada.
Sophia apertava a barra de sua blusa, buscando algum consolo na amargura, pensando que, pelo menos, ele ainda parecia guardar alguma gratidão por seu pai.
Sophia soltou um suspiro de alívio.
O carro não rodou tranquilamente por mais de dois minutos.
O celular de Victor tocou de novo.
Ele franziu a testa e atendeu.
Era a voz de Bruna novamente, manhosa e vulnerável:
— Victor, eu estou com medo, ele está tentando arrombar a fechadura...
Victor pisou bruscamente no freio.
Pega de surpresa, Sophia foi jogada para a frente com violência, quase batendo a testa no painel.
Quando o veículo parou totalmente.
O cinto de segurança a puxou de volta ao banco.
O impacto a deixou tonta.
Ela franziu o cenho e olhou para Victor com uma expressão vazia, sem qualquer emoção.
Com o semblante preocupado, ele sinalizou:
— Sophia, me desculpe. Houve uma emergência na empresa, acho que não vou poder ir ao túmulo do Sr. Barro com você. Vou tentar terminar tudo rápido e te encontro lá.
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