Desde que se entendia por gente, ela se esforçava para interpretar a garota dócil e afável, garantindo de forma cautelosa a sua sobrevivência no seio da família Amorim.
Desdobrava-se para agradar a todos, tudo com o único intuito de assegurar o seu lugar naquele clã.
Acreditava ter feito um excelente trabalho. Achava que poderia desfrutar daquela estabilidade pelo resto da vida.
Porém, a chegada de Ema foi como um pedregulho atirado em um lago plácido, estilhaçando todas as suas ilusões.
Ela encarou as pessoas ao redor, aquelas que agora a incriminavam com olhares banhados de repulsa e desilusão.
Sentiu-se como um ser completamente rejeitado pelo mundo, solitária e desamparada.
Uma imensa revolta tomou conta de si. Por que Ema podia conquistar a atenção e o reconhecimento de todos com tanta facilidade, enquanto ela, após anos de dedicação exaustiva, colhia apenas aquele desfecho miserável?
Amanda mordeu o lábio inferior com força, o rancor cintilando em suas pupilas. Odiava Ema. Se aquela mulher não existisse, ela continuaria sendo a Amanda adorada por todos, a moça que vivia em total liberdade sob o teto da família Amorim.
Seus punhos se fecharam com tanta violência que as unhas rasgaram a pele das palmas, mas ela não sentiu sequer um pingo de dor.
Seu olhar tornou-se gélido e perfurante, como se tentasse atravessar Ema ali mesmo. Jurou em silêncio que não se daria por vencida tão facilmente. Ela faria Ema pagar caro.
Inspirando fundo, Amanda lutou para recuperar a compostura. Sabia que não era o momento para agir por impulso; precisava reverter o jogo de alguma maneira. Ergueu o queixo, encarando a plateia, e tentou se justificar.
— Não foi nada disso, escutem-me, por favor! — A voz de Amanda tremia, carregada de um falso senso de injustiça. — Eu não armei contra a Ema, tudo isso é um mal-entendido terrível. Foi a Ema! Ela usou dinheiro para subornar essas pessoas e me caluniar!
Ninguém, contudo, comprou a sua versão. Diante de evidências tão contundentes, sua defesa soava patética e inútil.
— Chega de mentiras, Amanda! — bradou um parente, indignado. — Os fatos estão bem na nossa frente, e você ainda tenta negar? E o pior, tentando incriminar a Ema! Não se esqueça de que você não passa de uma herdeira falsa da família Amorim. A Ema tem o nosso sangue. Basta ver a diferença de caráter: a Ema, que tem um coração de ouro, é quem realmente honra o sangue dos Amorim.

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