Natália pareceu não se importar com a atitude dele. Caminhou elegantemente até o sofá e se sentou, mantendo as pernas unidas e levemente inclinadas, numa postura recatada.
Ao ver isso, o sorriso no rosto de Glória ficou um pouco constrangido, e ela se apressou em amenizar a situação:
— Alípio, já passa das onze. Nati e eu estávamos fazendo compras aqui por perto e viemos para cá, assim podemos almoçar juntos daqui a pouco.
Alípio franziu levemente a testa e disse com indiferença:
— Mãe, tenho muitos documentos para assinar hoje. Vou pedir ao Marcos para reservar um restaurante para vocês.
A expressão de Glória escureceu:
— Alípio, desde que seu corpo se recuperou, você passa o dia inteiro enfiado no trabalho. Quantas refeições você fez em casa? Eu vim de tão longe querendo almoçar com você, e você só pensa nesse trabalho.
A expressão de Alípio mudou levemente, mas ele insistiu:
— Mãe, os assuntos da empresa ficaram muito atrasados...
Alípio mal havia começado a falar quando Glória o interrompeu:
— Não me importa quanto trabalho você tenha, sua saúde é o mais importante. Guarde logo essas coisas e venha almoçar comigo.
Natália, sentada ao lado, disse com voz suave:
— Sra. Moreira, não fique irritada. O Alípio deve estar realmente muito ocupado. Eu faço companhia à senhora, e depois do almoço podemos ir a um spa.
Glória virou-se para Natália e comentou:
— Ai, Nati, olha só para ele. Continua do mesmo jeito de antigamente, não me obedece em nada.
Alípio lançou um olhar para as duas e suspirou levemente:
— Vamos. Vamos almoçar.
Só então a expressão de Glória suavizou um pouco:
— Esse é o meu bom filho.



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