O piscar frenético das luzes coloridas fez Ema apertar os olhos, incomodada com a claridade.
Depois de tomar alguns drinques, César avisou que iria ao banheiro. Ele mal havia desaparecido no meio da multidão.
Um grupo de homens bêbados foi direto até o camarote delas. O líder, um sujeito corpulento com uma corrente grossa de ouro no pescoço, encarou Zenobia e Ema com malícia e soltou:
— Olha só que gatinhas... Venham beber com a gente.
Zenobia ergueu o olhar, fria, e rebateu:
— As garotas de programa ficam para lá. Passar bem.
O homem, porém, não desistiu. Com um sorriso cínico, insistiu:
— Não precisa ser tão agressiva, gata. Vem curtir com a gente.
E, enquanto falava, esticou a mão para puxar Zenobia.
Ao ver aquilo, Ema se levantou rapidamente e puxou a amiga para trás de si:
— Com licença, minha amiga bebeu demais.
Mas o homem logo desviou o olhar cobiçoso para Ema:
— Ah, é? Ela bebeu demais, mas você me parece bem lúcida. Vem, vamos para a nossa mesa beber de verdade.
Dito isso, o sujeito já tinha alcançado e agarrado o braço de Ema por cima da mesa de centro.
Com os olhos pesados de álcool, Zenobia se levantou cambaleando, apontou para o homem e exigiu:
— Tira as mãos dela!
Outro homem do grupo, porém, empurrou Zenobia bruscamente de volta para o sofá. Com Ema tentando se soltar, a situação rapidamente saiu do controle.
O restante do bar parecia já estar acostumado com aquele tipo de cena; as pessoas ao redor apenas assistiam à confusão com indiferença.
Foi então que Benício se levantou devagar. Seu rosto estava inexpressivo, mas seus olhos irradiavam uma frieza cortante quando ele disse:
— A moça mandou você tirar as mãos dela. Você é surdo?
O brutamontes soltou uma risada debochada:

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