Dito isso, Alípio virou de costas para Ema.
A coceira de Ema era insuportável. Vendo a atitude dele, ela deixou de hesitar. Assim que expôs as costas, deitou-se de bruços no travesseiro e murmurou:
— P-Pronto.
Logo sentiu um frescor gelado nas costas. Quando a sensação refrescante se espalhou por toda a área, percebeu que o cobertor tinha sido puxado sobre ela.
Em seguida, a voz extremamente suave dele soou:
— Vou me sentar ali. Você mesma passa a loção no resto do corpo. Me chama quando terminar.
Ema ouviu o som dos passos dele, o clique da luz sendo apagada e, por fim, os passos parando. Só então ela se levantou.
Na penumbra, virada de costas para a direção onde Alípio estava, Ema espalhou rapidamente a loção no peito e na barriga. Ao olhar para baixo, sentiu todos os poros do corpo arrepiarem.
A coceira era terrível, e pequenas bolhas cobriam sua pele. Ela nunca tivera sintomas de alergia antes; o que estava acontecendo hoje?
Assim que terminou de aplicar a loção às pressas, vestiu a roupa, passou um pouco nas pernas e finalmente disse:
— Pronto.
Alípio voltou para o lado da cama e a orientou com voz gentil:
— Assim que a loção fizer efeito, a coceira vai passar.
Enquanto falava, ele ajustou a cabeceira da cama e colocou o travesseiro na vertical:
— Vem, encosta um pouco primeiro.
Ema se sentia muito melhor do que antes, e a frequência dos espirros também tinha diminuído.
Alípio sentou-se na beirada da cama e perguntou, preocupado:
— Por que você está sozinha?
Ema esfregou a pele, que ainda coçava levemente, e respondeu de forma distraída:
— Pedi para todo mundo ir para casa. Eu consigo me virar, não preciso de babá.
Alípio assentiu, murmurando para si mesmo:
— Como você foi ter essa reação alérgica? Você nunca teve alergia a lírios antes.
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