No quarto de hospital impecavelmente branco, a luz do sol entrava pelas frestas da cortina e se espalhava suavemente sobre a cama.
Ema abriu os olhos devagar. As pálpebras pesavam como chumbo, e sua visão estava embaçada. Ela piscou com esforço, tentando focar o que havia ao redor.
Tentou virar a cabeça, mas sentiu uma fraqueza extrema.
Os aparelhos ao redor emitiam bipes suaves. Em meio ao desconforto físico, sua consciência começou a clarear aos poucos.
Ela se lembrou: tinha ficado presa naquele espaço minúsculo, no escuro, com fome, sede e um cheiro insuportável...
A enfermeira percebeu que ela havia despertado e saiu correndo, surpresa, para chamar o médico.
O médico entrou apressado, com expressão atenta. Enquanto perguntava se ela sentia algum desconforto, examinava as pupilas dela e os indicadores dos monitores.
Nesse momento, a família Amorim, que esperava do lado de fora, ignorou as recomendações médicas e entrou correndo, tomada pela emoção. Todos pareciam abatidos e tinham o rosto banhado em lágrimas.
Ema olhou fracamente para as pessoas ao redor da cama. Com esforço, abriu a boca e soltou uma voz débil:
— Eu... ainda estou viva?
Assim que terminou de falar, uma lágrima escorreu pelo canto de seu olho.
— Está viva, sim. Você está viva. — Marisa se atirou ao lado da cama, chorando copiosamente. Curvada, acariciava as bochechas fundas de Ema e repetia sem parar: — Minha filha... minha pobre filha...
Vendo a cena, a equipe médica tratou de orientar:
— Fiquem tranquilos, ela está se recuperando bem. Nos próximos dias, a ingestão de alimentos e água não deve ser excessiva. A dieta precisa ser leve e a quantidade deve aumentar aos poucos. Além disso, ela vai continuar internada recebendo hidratação e reposição vitamínica na veia.
A voz rouca de Givaldo soou devagar:
— Obrigado, doutor.
Médicos e enfermeiros saíram do quarto. Givaldo ergueu a cabeceira da cama, deixando Ema em posição reclinada.
Marisa enxugou as lágrimas e umedeceu rapidamente um cotonete na água da mesa de cabeceira, passando-o com delicadeza nos lábios de Ema.
— Aguenta só mais um pouquinho. Vou umedecer mais a sua boca e, quando a sua língua não estiver tão seca, a gente te dá água aos poucos.



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