Marcos viu os dois se afastarem, curvou-se respeitosamente diante da família Amorim e disse:
— Sr. Amorim, Sra. Amorim, quando as pessoas estão desesperadas, acabam dizendo coisas horríveis. Por favor, não levem a mal.
Givaldo se adiantou para amparar Marcos:
— Vai trocar de roupa primeiro. Você correu várias vezes até o túnel e está coberto de poeira.
Marcos assentiu e se afastou devagar.
Givaldo abraçou Marisa pelos ombros e a consolou:
— A mãe do Alípio tem um temperamento explosivo. Não dê ouvidos a ela.
Marisa, com os olhos inchados de tanto chorar, não tinha cabeça para se importar com os insultos de Glória. Todo o seu coração estava voltado para Ema.
Ela encarava fixamente o túnel, agora transformado numa montanha de escombros, e soluçou:
— A sua irmã não teve um único dia de paz. Como Deus pôde ser tão cruel com ela...?
— Mãe... — chamou Givaldo, tentando tranquilizá-la.
Ao lado deles, Emerson Amorim disse com expressão grave:
— Givaldo, ainda dá para fazer uma ligação? Eu queria falar com a minha filha.
Givaldo respondeu com pesar:
— O carro já não liga mais, e a bateria dos celulares precisa ser poupada para manter a localização deles. É melhor... é melhor não ligar.
Ao ouvir isso, Marisa desabou nos braços de Emerson, tremendo de tanto chorar.
....................
Mais três dias se passaram.
Era o oitavo dia de confinamento.

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