Ema tapou os ouvidos, tentando lutar contra o pânico que a consumia, e assentiu quase mecanicamente.
Naquele momento, as luzes do túnel começaram a piscar e a enfraquecer em meio aos tremores violentos, e o ar que entrava pelas frestas ficava cada vez mais pesado, abafado.
Pouco depois, uma nova sequência de estrondos ensurdecedores tomou conta do lugar. Uma nuvem de poeira, espessa como fumaça, se ergueu de repente e invadiu todo o espaço, trazendo uma sensação aterrorizante de sufocamento.
Percebendo que Ema tremia da cabeça aos pés, Alípio se abaixou devagar e a abraçou com força, apertando a parte de cima do corpo dela contra o peito.
A mão grande dele não parava de acariciar as costas dela, tentando transmitir alguma sensação de segurança em meio ao caos.
Mesmo assim, o barulho constante das pedras desabando logo acima fazia os corações dos dois baterem descompassados.
Alípio manteve o corpo curvado sobre ela como um escudo, murmurando sem parar palavras suaves para acalmá-la.
Nenhum dos dois sabia quanto tempo havia passado. Quando Alípio finalmente levantou a cabeça, tudo à frente era um breu absoluto. Não dava para ver mais nada.
O som das pedras caindo parecia ter cessado, substituído apenas por gemidos abafados de dor, vindos de algum ponto distante.
Ema sentiu que Alípio havia se mexido e também tentou sair daquele cantinho apertado. Na escuridão, tateando o espaço, foi puxada de novo para os braços dele, que a envolveu com firmeza.
Com um braço ao redor dos ombros dela, Alípio procurou o celular com a outra mão e acendeu a lanterna. Quando iluminou ao redor, até ele ficou momentaneamente chocado.
Do lado de fora das janelas do carro, havia apenas uma muralha de pedras e poeira. O teto do veículo estava deformado, e o porta-malas tinha sido esmagado, reduzido a cerca de um terço do tamanho original.
Seguindo a luz da lanterna, Ema também enxergou o estado em que estavam.
Tentando recuperar o fôlego, disse entre soluços:
— Nós... nós fomos enterrados vivos no túnel?
Alípio abaixou o olhar e viu o rosto dela tomado pelo pânico. Apertou-a ainda mais nos braços, tentando acalmar os tremores violentos que sacudiam o corpo dela.
Embora soubesse muito bem o quão grave era a situação, manteve a cabeça fria e tentou tranquilizá-la:
— Não tenha medo. Hoje em dia os equipamentos são avançados e as equipes de resgate são profissionais. A gente só precisa esperar com calma.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Acusada de Traição, Volto com Três Filhos