Ema assentiu. Enxugou as lágrimas e levou algum tempo para se recompor antes de começar a ligar.
Primeiro, ligou para Givaldo. Depois, para os pais. Por fim, para Zenóbia. Mas, durante todas as conversas, não mencionou uma palavra sequer sobre o lugar onde estava.
Naquele momento, tudo o que podiam fazer era esperar o resgate. Se contasse o que tinha acontecido, só causaria desespero, dor e angústia à toa.
Quando encerrou a última ligação, o rosto já estava banhado em lágrimas de novo. Ela entregou o telefone a Alípio e disse entre soluços:
— Liga... liga pra sua família também.
— Ainda não precisa. Deixa carregar mais um pouco, depois a gente coloca o seu celular também. — Ele respondeu com suavidade, apagou a tela e deixou o aparelho perto dos próprios pés.
No momento em que o carro de Ema foi esmagado, ela estava segurando o celular com tanta força que, por sorte, não o soltou.
Dentro do carro, apenas as luzes fracas do painel iluminavam o ambiente. A respiração pesada dos dois era o único som naquele espaço.
Pouco depois, Ema não aguentou mais e começou a chorar copiosamente.
Os olhos dela não paravam de se voltar para a diagonal da parte dianteira, à direita. Mesmo que lá fora houvesse apenas um amontoado de pedras e terra e não fosse possível enxergar nada, Ema não conseguia parar de olhar naquela direção.
Alípio entendeu perfeitamente: ela estava desesperada, pensando em Zuleika.
Ele acariciou o ombro dela:
— Não se preocupa. No carro dela deve ter sobrado espaço, como no nosso. Quando parar o barulho lá fora, eu te ajudo a chamar por ela. Para de chorar. O ar aqui dentro já está ruim, e você só vai desperdiçar energia e passar mal.
Ema continuava enxugando as lágrimas, assentindo em silêncio.
Enquanto isso, usando só a luz fraca do painel, Alípio esticou o corpo por cima do banco traseiro em direção ao porta-malas.
Havia pedras de todos os tamanhos empilhadas ali, e a caixa organizadora estava esmagada no fundo. Ele tateou por bastante tempo na penumbra, até acabar pedindo que Ema ligasse a lanterna do celular de novo.
Depois de observar a situação por alguns segundos, notou que ainda havia um espacinho no canto direito. Então começou a tirar as pedras menores dali.


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