Alípio beijou a testa dela algumas vezes e falou em voz baixa:
— Não chora. Deixa eu ver suas pernas.
Enquanto dizia isso, apertou de leve as coxas dela com as mãos grandes:
— Dói? Aqui? E aqui?
Ao ver Ema balançar a cabeça, negando, ele finalmente soltou um suspiro de alívio.
O terror absoluto que dominava Ema também começou a diminuir um pouco, e foi então que ela se lembrou de que o braço dele tinha sido ferido pela pedra.
Ema se ajeitou no banco, enxugou as lágrimas e pediu:
— Tira a camisa. Quero ver esse machucado.
Alípio franziu a testa, como se tivesse se lembrado de algo de repente, e perguntou às pressas:
— Tem comida ou água no banco de trás do seu carro?
Ela assentiu:
— Tem. Depois que saímos do mercado, deixei a sacola atrás.
Alípio olhou ao redor, avaliando a situação, e arrancou o encosto de cabeça do banco do passageiro da frente.
— O que você vai fazer? — Ema segurou o braço dele imediatamente.
Alípio respondeu em tom calmo:
— Não se preocupa. Eu volto rápido.
Assim que terminou de falar, abriu a porta num movimento brusco, colocou o encosto sobre a cabeça como escudo, deu passos largos e firmes, abriu a porta traseira do carro de Ema, pegou a sacola e voltou na mesma hora.
Não foi só Ema que suou frio de desespero. Ele mesmo precisou enfrentar o próprio medo para fazer aquilo.
Mas havia calculado a situação. Estava claro que o resgate não seria simples, e eles precisariam daqueles suprimentos para aguentar.
Alípio abriu a sacola: duas garrafas de água, uma caixa de doces, dois pães, além de lenços de papel, echarpes, máscaras e repelente.
Ema limpou o resto das lágrimas, tentando parar de chorar, e disse em voz baixa:

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